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Sexta-feira, 15 de Maio 2026
Notícias/Cotidiano

Henrique Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master, é preso por liderar milícia "A Turma"

A prisão ocorreu na 6ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias.

Henrique Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master, é preso por liderar milícia
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, foi detido nesta quinta-feira (14) durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal (PF) aponta que ele liderava "A Turma", uma milícia pessoal responsável por monitoramento e intimidação de desafetos, em um esquema de fraudes financeiras bilionárias.

A Operação Compliance Zero foca na investigação de fraudes financeiras de grande escala, que também envolvem a atuação de Daniel Vorcaro com agentes públicos. Esta etapa da operação mirou especificamente "A Turma" e "Os Meninos", grupos que, conforme relatórios da PF ao Supremo Tribunal Federal (STF), eram compostos por indivíduos encarregados de monitorar e intimidar pessoas consideradas "desafetos" dos Vorcaro.

O ministro do STF, André Mendonça, que autorizou a prisão, destacou a profundidade do envolvimento de Henrique Vorcaro. Ele afirmou que Vorcaro não só se beneficiava dos "serviços ilícitos da Turma", mas também os solicitava ativamente, os financiava e mantinha contato com os operadores do grupo, mesmo com o avanço das investigações.

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A Polícia Federal descobriu a existência dessa milícia pessoal através de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. As provas das atividades ilegais do grupo foram reforçadas com o decorrer das apurações, incluindo diálogos extraídos do aparelho do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Vazamento de investigações

O material apreendido revela que Marilson era responsável por operacionalizar as ações de intimidação contra os desafetos dos Vorcaro. Ele também obtinha informações sigilosas sobre investigações em andamento que miravam Henrique e Daniel Vorcaro, por meio de pagamentos a uma delegada e a um agente da própria Polícia Federal.

A PF detalhou que o policial Anderson da Silva Lima, lotado na superintendência do Rio de Janeiro, era acionado não apenas para consultas cadastrais básicas. Ele também sondava investigações policiais sigilosas de interesse direto do "núcleo Vorcaro", utilizando sua rede de contatos dentro da corporação.

Devido ao seu papel de liderança e influência sobre "A Turma", Mendonça, a pedido da PF, determinou a transferência de Marilson Roseno da Silva para o Sistema Penitenciário Federal. Anderson da Silva Lima também foi detido preventivamente nesta quinta-feira.

O ministro justificou a medida, escrevendo que "Marilson exerce papel de liderança no núcleo 'A Turma', em posição hierárquica elevada". A custódia em um estabelecimento com maior fiscalização e restrição de contatos é vista como essencial para evitar que ele continue a influenciar a organização criminosa ou atrapalhe as investigações.

A PF também identificou Felipe Mourão, conhecido como "Sicário", como outra figura crucial na gerência dos grupos criminosos. Mourão havia sido preso em uma fase anterior da Operação Compliance Zero, mas cometeu suicídio na cela da superintendência da PF em Belo Horizonte.

Jogo do bicho e ameaças

Nesta quinta-feira, Manoel Mendes Rodrigues também foi preso, sob suspeita de liderar uma ramificação de "A Turma" no Rio de Janeiro. As investigações da PF indicam sua participação direta em ameaças de morte presenciais contra um comandante de iate e um chefe de cozinha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

De acordo com os depoimentos das vítimas, Manoel, ao proferir as ameaças, afirmava ser "amigo de Vorcaro" e ter envolvimento com o "jogo do bicho".

Fuga com computadores

Um relatório parcial da PF aponta David Henrique Alves como outra figura proeminente na organização criminosa. Ele seria o responsável por contratar hackers para realizar monitoramentos ilícitos, ataques digitais, invasões e derrubada de perfis em redes sociais.

Alves foi detido em uma fase anterior da Operação Compliance Zero, durante uma suposta tentativa de fuga em um carro de Felipe Mourão. O veículo continha cinco computadores e objetos pessoais, levantando a suspeita da PF de que os equipamentos seriam destruídos.

Além de Alves, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier também foram presos, identificados como hackers que executavam os crimes cibernéticos.

Prisões

Ao todo, sete pessoas foram presas nesta quinta-feira (14), incluindo:

  • Anderson da Silva Lima
  • David Henrique Alves
  • Henrique Moura Vorcaro
  • Manoel Mendes Rodrigues
  • Victor Lima Sedlmaier
  • Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos
  • Sebastião Monteiro Júnior

Defesa

A defesa de Henrique Vorcaro divulgou uma nota classificando a prisão como "grave e desnecessária". Os advogados argumentam que a detenção ocorreu antes mesmo de o pai de Daniel Vorcaro ser ouvido no âmbito das investigações.

Os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta afirmaram que "a decisão se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo", e que tais informações "não foram solicitadas à defesa e nem a ele".

A Agência Brasil segue buscando contato com as defesas dos demais envolvidos e mantém o espaço aberto para a inclusão de seus posicionamentos.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes – repórter da Agência Brasil
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