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Sexta-feira, 15 de Maio 2026
Notícias/Economia

Lucro da Caixa registra queda de 34% no primeiro trimestre, impactado por novas regras do BC

O desempenho financeiro do banco foi significativamente afetado pelo expressivo aumento das provisões para perdas com crédito, que mais que dobraram no período.

Lucro da Caixa registra queda de 34% no primeiro trimestre, impactado por novas regras do BC
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A Caixa Econômica Federal anunciou uma significativa redução em seu lucro líquido recorrente, que atingiu R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma queda de 34,4% em comparação com o ano anterior. O balanço, divulgado nesta quinta-feira (14), revela que o resultado foi fortemente influenciado pelo expressivo aumento das provisões para perdas com crédito, que mais que dobraram no período, em decorrência das novas diretrizes regulatórias do Banco Central (BC) para a cobertura de risco de inadimplência.

Conforme explicação da instituição financeira, as provisões agora incorporam as perdas esperadas nas operações de crédito, e não se limitam apenas às perdas já concretizadas. Essa alteração regulatória resultou em um aumento substancial das reservas financeiras do banco, destinadas a cobrir potenciais calotes, impactando negativamente o lucro trimestral.

Apesar da retração no lucro, a Caixa demonstrou resiliência ao manter o crescimento de sua carteira de crédito. Esse avanço foi impulsionado, sobretudo, pelo financiamento imobiliário, setor em que o banco continua a ser o principal player no mercado nacional.

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Principais indicadores financeiros

Os dados do balanço detalham os seguintes pontos:

  • O lucro líquido recorrente alcançou R$ 3,5 bilhões, representando uma queda de 34,4% em 12 meses, mas um crescimento de 25,4% em relação a dezembro.
  • A provisão para perdas saltou para R$ 6,5 bilhões, um aumento impressionante de 225% no comparativo anual.
  • O índice de inadimplência registrou 3,71%, um acréscimo de 1,22 ponto percentual em 12 meses.

Desempenho da carteira de crédito

Apesar dos desafios, a carteira de crédito da Caixa demonstrou expansão:

  • A carteira total de crédito atingiu R$ 1,41 trilhão, crescendo 11,3% em 12 meses e 2,3% na comparação com dezembro.
  • O crédito imobiliário, carro-chefe da instituição, somou R$ 966,2 bilhões, um avanço de 13,9% em 12 meses.
  • A participação da Caixa no segmento imobiliário permanece robusta, em 68%.

Crédito segmentado por público

Pessoa física (PF)

A carteira destinada a pessoas físicas apresentou os seguintes números:

  • A carteira PF totalizou R$ 154,9 bilhões, com um aumento de 10,4% em 12 meses.
  • O crédito consignado representou R$ 114,2 bilhões desse montante.
  • O peso do consignado na carteira PF é significativo, alcançando 73,7%.

Pessoa jurídica (PJ)

No segmento de pessoas jurídicas, a performance foi a seguinte:

  • A carteira PJ registrou R$ 114,3 bilhões, com crescimento de 8,8% nos últimos 12 meses.

Agronegócio

O setor do agronegócio também contribuiu para a carteira:

  • O saldo da carteira do agronegócio alcançou R$ 64,9 bilhões, um incremento de 2,2% em 12 meses.

Receitas e despesas operacionais

Em relação aos fluxos financeiros, os destaques foram:

  • A margem financeira atingiu R$ 18,3 bilhões, com alta de 11,8% em 12 meses.
  • As receitas com serviços somaram R$ 7,4 bilhões, crescendo 12,5% no período.
  • As despesas operacionais totalizaram R$ 11,5 bilhões, com aumento de 6% em 12 meses.

Estrutura e solidez financeira

A estrutura financeira da Caixa também apresentou números relevantes:

  • As captações totais alcançaram R$ 2 trilhões, um avanço de 13,7% em 12 meses.
  • O patrimônio líquido registrou R$ 153,2 bilhões, com crescimento de 8,5% no período.
  • Os ativos totais da instituição somaram R$ 2,4 trilhões, expandindo 12,9% em 12 meses.

Posicionamento da Caixa

Em comunicado oficial, a Caixa esclareceu que o incremento nas provisões é, em grande parte, resultado da transição regulatória imposta pelo Banco Central. A instituição financeira ressaltou que esses valores não indicam uma deterioração direta na qualidade de sua carteira de crédito.

Adicionalmente, o banco enfatizou a continuidade da expansão de suas operações de crédito, com destaque para o segmento de financiamento habitacional, que registrou R$ 64,2 bilhões em novas contratações somente no primeiro trimestre.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
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