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Sexta-feira, 15 de Maio 2026
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Trabalhadores por conta própria registram as maiores jornadas de trabalho no Brasil

Dados do IBGE revelam que a média semanal desses profissionais atinge 45 horas, superando em mais de cinco horas a carga horária de empregados.

Trabalhadores por conta própria registram as maiores jornadas de trabalho no Brasil
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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Os trabalhadores por conta própria no Brasil dedicaram, em média, 45 horas semanais às suas atividades no primeiro trimestre de 2026, marcando as maiores jornadas de trabalho do país. A constatação, divulgada nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, aponta que essa carga horária excede em mais de cinco horas a dos empregados dos setores público e privado.

Em comparação, a média geral dos indivíduos ocupados foi de 39,2 horas semanais. Especificamente, os empregados registraram uma média de 39,6 horas, enquanto os empregadores apresentaram a menor carga, com 37,6 horas.

A Pnad Contínua, estudo realizado pelo IBGE, investiga o comportamento do mercado de trabalho para indivíduos a partir dos 14 anos. A pesquisa abrange diversas modalidades de ocupação, incluindo empregos formais e informais, temporários e, claro, os trabalhadores por conta própria.

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A categoria 'conta própria'

O IBGE define o trabalhador por conta própria como aquele que gerencia o seu próprio negócio, seja individualmente ou em sociedade. Essa categoria não possui empregados, podendo ou não contar com o apoio de um familiar não remunerado residente no mesmo domicílio.

No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria, correspondendo a 25,5% da população ocupada. Exemplos contemporâneos e frequentes incluem motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas de aplicativo.

O estudo também detalha a situação do 'trabalhador auxiliar familiar', definido como a pessoa que colabora em negócios ou atividades familiares (agrícolas, comerciais, etc.) sem remuneração financeira. Esta categoria apresentou uma jornada média semanal de 28,8 horas no mesmo período.

Proteções e limites trabalhistas

William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa, observa que os empregados, em média, não excedem os limites máximos de jornada. Isso se deve, em grande parte, às proteções asseguradas pela legislação trabalhista.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define a jornada máxima semanal em 44 horas, com um limite diário de oito horas, permitindo até duas horas extras por dia.

Existem exceções a essas regras, como a jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, frequentemente adotada em setores como o da saúde.

Kratochwill explica que, mesmo para trabalhadores não formalizados, o mercado tende a seguir os padrões estabelecidos pela lei.

Contudo, ele enfatiza que essa conformidade com os padrões legais não se aplica aos trabalhadores por conta própria nem aos empregadores.

“Se um trabalhador por conta própria desejar trabalhar 24 horas por dia, ele tem essa liberdade; não há impedimento legal, apenas suas próprias limitações físicas”, afirma o analista.

Kratochwill ainda observa que os empregadores possuem a capacidade de delegar tarefas.

“Com uma equipe trabalhando para eles, é provável que essa seja a razão para a média de horas trabalhadas dos empregadores ser inferior à dos empregados”, sugere ele.

Em contrapartida, o trabalhador por conta própria não dispõe da possibilidade de delegar suas responsabilidades, conforme lembra o analista.

“Sem a quem delegar, é provável que esses profissionais precisem dedicar significativamente mais horas semanais para atingir seus objetivos”, conclui Kratochwill.

Debate sobre a jornada de trabalho no país

Os dados trimestrais do IBGE surgem em um cenário de intensos debates nacionais sobre a redução da jornada de trabalho, atualmente de 44 para uma proposta de 40 horas semanais. Outro ponto em discussão é a eliminação da escala 6x1, que prevê apenas uma folga semanal, com a manutenção do salário.

Atualmente, o Congresso Nacional analisa duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) e um Projeto de Lei (PL) de autoria do governo, todos relacionados a essas questões.

Recentemente, na última quarta-feira (13), houve um acordo entre representantes do governo e da Câmara dos Deputados. O objetivo é aprovar as propostas que tramitam na Casa e que visam estabelecer a escala de trabalho 5x2.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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