Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 15 de Maio 2026
Notícias/Economia

Desemprego de longa duração atinge menor nível já registrado, revela IBGE

Em um ano, o contingente de pessoas buscando ocupação por 24 meses ou mais diminuiu significativamente, conforme dados da Pnad Contínua Trimestral.

Desemprego de longa duração atinge menor nível já registrado, revela IBGE
© Tânia Rego/Agência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O número de indivíduos que buscam emprego há dois anos ou mais registrou uma queda histórica de 21,7% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Este dado, divulgado pelo IBGE através da Pnad Contínua Trimestral, aponta que o desemprego de longa duração atingiu o menor patamar desde o início da série histórica em 2012, representando agora 1,089 milhão de pessoas.

No ano anterior, 2025, o Brasil contava com aproximadamente 1,4 milhão de cidadãos nessa situação de busca prolongada por uma vaga. O pico histórico para este indicador foi observado em 2021, em meio à pandemia de Covid-19, quando 3,5 milhões de pessoas estavam há dois anos ou mais sem ocupação.

Os resultados que evidenciam esses recordes fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, cujos dados foram tornados públicos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14).

Leia Também:

A diminuição do contingente de pessoas em busca de trabalho por períodos estendidos também é perceptível em outras faixas temporais avaliadas pela pesquisa.

Na categoria de busca por emprego entre um mês e menos de um ano, o país registrou 3,380 milhões de pessoas, uma redução de 9,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O maior volume para essa faixa foi de 7 milhões, também em 2021.

Para aqueles que procuravam ocupação entre um ano e menos de dois anos, o total foi de 718 mil pessoas, indicando uma queda de 9% se comparado a 2025. O ápice para esta faixa temporal igualmente ocorreu em 2021, com 2,6 milhões de indivíduos.

A única categoria que não apresentou um recorde mínimo foi a de pessoas procurando vaga há menos de um mês. Entre janeiro e março de 2026, cerca de 1,4 milhão de brasileiros se encontravam nessa situação. Embora esse número seja 14,7% inferior ao do ano anterior, ele ainda se mantém acima do nível registrado em 2014, que foi de 1,016 milhão.

A pesquisa do IBGE detalhou a distribuição dos 6,6 milhões de desocupados no país, segmentando-os pelas faixas de tempo de procura por trabalho:

  • Menos de um mês: 21,2% dos desocupados
  • Um mês a menos de um ano: 51,4%
  • Um ano a menos de dois anos: 10,9%
  • Dois anos ou mais: 16,5%

Mercado de trabalho dinâmico impulsiona realocação

William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa, destaca que os patamares mínimos de busca por emprego em diversas faixas de tempo estão diretamente ligados ao bom desempenho e à dinâmica do mercado de trabalho atual.

“As pessoas estão dedicando menos tempo para se realocar profissionalmente. O mercado demonstra maior fluidez”, afirmou Kratochwill.

No final de abril, o IBGE já havia informado que a taxa geral de desemprego no primeiro trimestre de 2026 atingiu 6,1%, marcando a menor taxa da série histórica da pesquisa.

O pesquisador, contudo, faz uma ressalva importante quanto à qualidade das novas ocupações: “Não necessariamente isso se traduz em uma melhora na qualidade do trabalho encontrado”.

Crescimento do trabalho por conta própria

A metodologia da pesquisa do IBGE abrange o comportamento do mercado de trabalho para indivíduos com 14 anos ou mais, considerando todas as modalidades de ocupação, incluindo empregos com e sem carteira assinada, temporários e o trabalho por conta própria.

Conforme os critérios do instituto, apenas é classificada como desocupada a pessoa que comprovadamente procurou uma vaga nos 30 dias anteriores à coleta de dados. A pesquisa abrange 211 mil domicílios espalhados por todos os estados e o Distrito Federal.

William Kratochwill refuta a ideia de que a diminuição do desemprego de longa duração esteja relacionada ao desalento, termo que descreve a situação de quem desiste de procurar trabalho por acreditar que não encontrará.

“A desistência é um ponto que podemos, de fato, descartar. O mercado de trabalho tem demonstrado uma persistência notável tanto nas contratações quanto na manutenção dos postos de trabalho”, enfatizou.

Ele acrescenta que o aumento contínuo no número de pessoas que atuam por conta própria também contribui significativamente para a redução do desemprego mais prolongado.

Leia mais sobre o tema: Trabalhador por conta própria trabalha 45 horas por semana

Segundo a Pnad, o Brasil registrou 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria no primeiro trimestre de 2026, representando 25,5% da população ocupada. Em contraste, nos três primeiros meses de 2012, havia 20,1 milhões de trabalhadores nessa condição.

“Esses indivíduos tomam a iniciativa de empreender seu próprio negócio”, concluiu Kratochwill.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
Comentários:

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Vale Europeu Notícias
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR