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Sexta-feira, 15 de Maio 2026
Notícias/Economia

Desemprego de pretos supera o de brancos em 55%, aponta IBGE

Dados do primeiro trimestre de 2026 da Pnad Contínua revelam que a taxa de desocupação feminina é 43% superior à masculina, evidenciando desigualdades.

Desemprego de pretos supera o de brancos em 55%, aponta IBGE
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira (14), os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral para o primeiro trimestre de 2026, revelando uma acentuada disparidade no desemprego no Brasil. A taxa de desocupação entre pessoas pretas atingiu 7,6%, um índice 55% superior ao registrado entre brancos (4,9%) e acima da média nacional de 6,1%. Além disso, as mulheres enfrentaram uma taxa 43,1% maior que a dos homens, evidenciando desafios estruturais no mercado de trabalho.

A discrepância atual para pessoas pretas, de 55%, supera os 52,5% do último trimestre de 2025 e os 50% dos três primeiros meses do ano anterior. O pico histórico foi de 69,8% no segundo trimestre de 2020, período marcado pelo início da pandemia de covid-19.

Desde o início da série histórica da Pnad em 2012, quando a diferença era de 44,8%, a menor disparidade observada para este grupo foi de 43,6%, no segundo trimestre de 2021.

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Pardos

A análise da taxa de desocupação também revela um cenário desfavorável para pessoas pardas em comparação com brancos. Para esse grupo, o índice de desemprego alcançou 6,8%, representando uma diferença de 38,8% em relação aos brancos.

Historicamente, a disparidade para os pardos era de 37,3% no início da pesquisa. O menor patamar de diferença foi de 33,3% no segundo trimestre do ano passado, enquanto o maior atingiu 50,84% no terceiro trimestre de 2023.

Em uma comparação mais recente, no último trimestre de 2025, o desemprego entre pardos era 47,5% superior ao dos brancos.

Fatores

Segundo William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, a persistente disparidade nas taxas de desemprego entre pessoas pretas e pardas em relação aos brancos sugere a existência de fatores estruturais.

Ele ressalta que essa diferença pode estar atrelada a múltiplos elementos, como o nível de instrução e a localização geográfica, e não exclusivamente à cor da pele.

Kratochwill enfatiza a necessidade de estudos mais aprofundados para identificar com precisão as causas dessas diferenças, considerando um leque maior de características além da autoidentificação de cor ou raça.

Informalidade

A Pnad Contínua também evidencia que pessoas pretas e pardas se encontram em desvantagem no que tange à formalidade do emprego, comparadas aos brancos.

O IBGE classifica como trabalhadores informais aqueles sem carteira assinada, bem como autônomos e empregadores que não possuem CNPJ.

A taxa média nacional de informalidade atingiu 37,3%, percentual que representa os trabalhadores ocupados sem acesso a direitos e garantias trabalhistas essenciais, como seguro-desemprego, férias remuneradas e 13º salário.

A distribuição por grupo de cor ou raça mostra que a informalidade foi de 32,2% para brancos, enquanto para pardos e pretos os índices foram de 41,6% e 40,8%, respectivamente.

Autoidentificação

O critério utilizado pela Pnad para categorização de cor ou raça é a autoidentificação, ou seja, cada indivíduo declara-se de acordo com sua percepção.

Os dados referentes ao primeiro trimestre de 2026 indicam que as pessoas pardas constituem a maior parte da população investigada pelo levantamento (indivíduos com 14 anos ou mais):

  • Pardos: 45,4%
  • Brancos: 42,5%
  • Pretos: 11,1%

Os grupos de amarelos (de origem asiática) e indígenas não tiveram seus dados detalhados na edição trimestral da Pnad.

Homens e mulheres

Na análise por gênero, o IBGE aponta que a taxa de desocupação para mulheres no primeiro trimestre de 2026 foi de 7,3%, sendo 43,1% superior à dos homens, que registrou 5,1%. Este último índice ficou abaixo da média nacional de 6,1%.

Desde o início da série histórica da pesquisa, a diferença no desemprego entre mulheres e homens já foi de 69,4%. A menor disparidade observada ocorreu no segundo trimestre de 2020, com 27%.

Curiosamente, no quesito informalidade, a taxa masculina (38,9%) supera a feminina (35,3%).

Idade

O IBGE também oferece uma perspectiva sobre a desocupação por faixa etária, destacando que o grupo de 14 a 17 anos possui a maior taxa de desemprego, alcançando 25,1%.

William Kratochwill explica que os jovens, muitas vezes, aceitam ocupações temporárias e com menor estabilidade como forma de iniciar sua trajetória profissional e construir um currículo.

Em contraste, a faixa etária com 60 anos ou mais apresenta o menor índice de desemprego, com apenas 2,5%.

Kratochwill complementa que esta é uma fase em que muitos indivíduos já estão se retirando do mercado de trabalho, e poucos são aqueles que ainda buscam ativamente uma nova ocupação.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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