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Santa Catarina nunca escondeu sua tradição política conservadora. De raízes profundas no pensamento liberal clássico e com forte influência do ruralismo, do empresariado e de valores religiosos, o estado sempre se destacou no mapa político brasileiro como um bastião da direita.
Contudo, o que antes era uma preferência por políticas econômicas liberais e um discurso moralizante, hoje se transforma em algo mais sombrio: a tentativa de naturalizar um autoritarismo bolsonarista que mina as instituições democráticas.
Não se trata apenas de uma inclinação política — legítima em qualquer democracia — mas de uma escalada de discursos de ódio, negação de direitos fundamentais e desprezo pelas regras do jogo democrático. A recente onda de parlamentares e figuras públicas que tentam reescrever a história da ditadura, que atacam o Supremo Tribunal Federal, a imprensa e as universidades, encontra eco forte em solo catarinense.
Basta observar os resultados eleitorais, o comportamento de parte da bancada federal e estadual, e a forma como pautas radicais encontram terreno fértil em diversos municípios. O bolsonarismo, aqui, não é apenas um fenômeno eleitoral passageiro: é um projeto de poder autoritário com raízes bem fincadas na cultura política local — marcada por um conservadorismo que, muitas vezes, rejeita o pluralismo e a diversidade como ameaças, e não como riquezas da democracia.
Santa Catarina corre o risco de se tornar laboratório de um projeto antidemocrático travestido de “defesa da liberdade”. Liberdade para quem? Para que? São perguntas urgentes diante da tentativa de capturar o Estado, deslegitimar adversários e instaurar um pensamento único.
É papel da sociedade civil, da imprensa e das instituições democráticas reagir. Questionar não é “esquerdismo”; é democracia em ação. E preservar a democracia é muito mais do que escolher lados: é garantir que todos tenham o direito de existir e se expressar, sem medo.
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