Nesta quinta-feira (30), diversas organizações sociais manifestaram forte oposição à decisão do Congresso Nacional de derrubar o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria. A medida é vista como um retrocesso, pois reduz as penas aplicadas a condenados pela tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023.

Para as entidades signatárias, o movimento parlamentar configura um "grave e histórico retrocesso institucional". Elas argumentam que a mudança na legislação acaba por naturalizar a violência política e abre precedentes perigosos para a impunidade em futuros ataques às instituições.

Uma nota técnica elaborada pela coalizão Pacto pela Democracia, que reúne mais de 20 instituições, destaca que a derrubada do veto sinaliza uma relativização de agressões diretas à democracia. Segundo o documento, tal postura substitui a soberania do voto popular por interesses autoritários.

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O texto reforça que a decisão fragiliza o processo de responsabilização jurídica daqueles que atentaram contra a ordem constitucional. O foco das críticas é o contexto pós-eleitoral, onde se buscou subverter o resultado das urnas por meio da força e do caos.

Instituições alertam para falsa pacificação

Representantes como o Instituto Vladimir Herzog, o Instituto Marielle Franco e a Transparência Eleitoral Brasil assinam o manifesto. Eles defendem que a redução de penas não promove a pacificação nacional, mas indica que setores do Parlamento estão abdicando de seu papel como guardiões da Constituição.

O documento enfatiza que essa manobra legislativa carece de apoio popular e base constitucional sólida. Além disso, as entidades alertam que a medida prejudica a construção de uma memória coletiva sobre um dos períodos mais conturbados da história da República recente.

Revisar a gravidade dos atos de vandalismo e sedição através da flexibilização penal é, na visão das organizações, uma tentativa de reescrever a história. Elas pedem cautela, ressaltando que tais mudanças podem gerar efeitos sistêmicos indesejados em todo o ordenamento jurídico penal.

Ataque frontal ao regime democrático

A nota relembra o cenário de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram alvo de ódio e depredação. Para os especialistas, o episódio não foi um simples ato de vandalismo, mas uma ação coordenada para deslegitimar o processo eleitoral brasileiro e instaurar uma ruptura.

O manifesto é enfático ao afirmar que a trama visava instaurar o caos através da força. A redução das punições, portanto, é interpretada como um incentivo indireto a novos episódios de insurgência contra o Estado de Direito e a normalização da violência política.

Por fim, as organizações alertam que a manutenção da democracia depende da capacidade do Estado em punir agressores e não incorporar o golpismo à normalidade. A derrubada do veto, concluem, caminha perigosamente na direção oposta à preservação das instituições.

FONTE/CRÉDITOS: Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil