O governo central registrou um déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica em 1997. Segundo dados do Tesouro Nacional, a principal causa foi o pagamento antecipado de precatórios, dívidas da União com sentenças judiciais definitivas, que impactaram significativamente as contas públicas.

Este resultado representa uma acentuada deterioração em comparação com março de 2025, quando o governo obteve um superávit de R$ 1,527 bilhão. A mudança no calendário de pagamento dos precatórios, concentrados em março de 2026 em contraste com julho de 2025, é apontada como o fator determinante para essa variação.

O déficit primário ocorre quando as receitas arrecadadas com tributos e impostos não são suficientes para cobrir as despesas do governo, excluindo os gastos com juros da dívida pública.

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Despesas em alta

As despesas totais apresentaram um crescimento expressivo no período, com destaque para os desembolsos relacionados a decisões judiciais e seus efeitos em outras áreas do orçamento.

Os principais indicadores de março foram:

  • Déficit primário: R$ 73,783 bilhões;
  • Despesas totais: R$ 269,881 bilhões, um aumento de 49,2% acima da inflação em relação a março do ano anterior;
  • Receita líquida: R$ 196,1 bilhões, com alta de 7,5% acima da inflação.

Os maiores incrementos nas despesas foram observados em:

  • Sentenças judiciais e precatórios (custeio e investimento): R$ 34,903 bilhões;
  • Benefícios previdenciários: R$ 28,615 bilhões, sendo R$ 23,982 bilhões referentes a precatórios;
  • Pessoal e encargos sociais: R$ 11,258 bilhões, com R$ 8,786 bilhões vinculados a precatórios.

O Tesouro Nacional informou que os precatórios também tiveram influência no aumento das despesas com Previdência e folha de pagamento, devido à vinculação de parte desses gastos a decisões judiciais.

Apesar do desempenho fiscal negativo, a arrecadação de receitas mostrou crescimento, impulsionada pelo cenário econômico favorável e por recentes medidas tributárias.

Entre os destaques na arrecadação:

  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): R$ 2,8 bilhões a mais que em março de 2025;
  • Imposto de Importação: R$ 2,3 bilhões;
  • Imposto de Renda: R$ 2,3 bilhões;
  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL): R$ 1,4 bilhão;
  • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins): R$ 1,5 bilhão.

Contudo, o avanço das receitas não foi suficiente para mitigar o expressivo aumento das despesas.

Resultado anual acumulado

No acumulado do primeiro trimestre, as contas públicas registraram um déficit de R$ 17,085 bilhões, revertendo o superávit de R$ 54,993 bilhões alcançado no mesmo período de 2025.

Os números acumulados de janeiro a março são:

  • Déficit primário: R$ 17,085 bilhões;
  • Receita líquida: R$ 626,4 bilhões (crescimento real de 4,2%);
  • Despesas totais: R$ 643,5 bilhões (crescimento real de 23,3%).

Assim como no resultado mensal de março, o desempenho acumulado foi afetado pela antecipação no pagamento de precatórios. O déficit trimestral, no entanto, é menor em função do superávit primário de R$ 86,9 bilhões registrado em janeiro, mês tradicionalmente com resultados positivos.

Investimentos em expansão

Os investimentos federais apresentaram um crescimento notável em março, sinalizando uma maior execução orçamentária.

  • Investimentos em março: R$ 14,8 bilhões, com elevação de 323,9% acima da inflação;
  • Acumulado em 2026: R$ 24,4 bilhões, representando um aumento de 146,4% acima da inflação.

Esse avanço reflete a aceleração na execução de projetos públicos e despesas discricionárias no início do ano.

Análise da meta fiscal

A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a aproximadamente R$ 34,3 bilhões, com uma margem de tolerância que permite resultados entre zero e R$ 68,6 bilhões positivos.

No entanto, regras fiscais permitem a exclusão de até R$ 63,5 bilhões em despesas do cálculo, incluindo precatórios. Mesmo com essas deduções, a projeção oficial do governo aponta para um déficit efetivo de R$ 59,8 bilhões para o ano, indicando a possibilidade de mais um ano com contas públicas deficitárias.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil