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Pão e Circo pode abrir nova frente no Vale: celulares e documentos podem revelar o tamanho real do suposto cartel dos shows

A Operação Pão e Circo, deflagrada pelo GAECO do Ministério Público de Santa Catarina, pode ganhar novos capítulos após a apreensão de celulares e documentos em Indaial e na Prefeitura de Apiúna.

Pão e Circo pode abrir nova frente no Vale: celulares e documentos podem revelar o tamanho real do suposto cartel dos shows
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A Operação Pão e Circo, deflagrada pelo GAECO do Ministério Público de Santa Catarina, pode ganhar novos capítulos após a apreensão de celulares e documentos em Indaial e na Prefeitura de Apiúna. O material será encaminhado para perícia e, segundo o próprio MPSC, a análise das evidências deve orientar os próximos passos da investigação sobre um suposto esquema de cartel, fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro na contratação de shows e eventos públicos em Santa Catarina. Ao todo, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios, sendo 18 catarinenses e um no Rio Grande do Sul, além de um mandado de prisão preventiva contra um empresário. MPSC

O ponto mais sensível agora está nos aparelhos e documentos recolhidos. Em investigações desse tipo, celulares costumam ser peças-chave para revelar conversas, combinações prévias, troca de favores, direcionamento de editais e eventual participação de agentes públicos. É justamente aí que a operação pode deixar de ser apenas uma apuração sobre empresas de eventos e avançar para uma pergunta incômoda: quantas festas públicas foram usadas como vitrine enquanto o dinheiro do contribuinte era disputado nos bastidores?

Segundo o MPSC, a suspeita é de que empresários do setor de eventos teriam estruturado um cartel para eliminar concorrentes, manipular preços e dominar contratações de shows com artistas de renome nacional. A investigação também apura suposto pagamento e recebimento de propina, além de lavagem de dinheiro para ocultar valores obtidos com irregularidades. Entre as cidades citadas na operação estão Apiúna, Indaial, Brusque, Canoinhas, Porto Belo, Bombinhas, Itapema, Palhoça, Mafra, São Bento do Sul, Três Barras e outras.

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Nos bastidores do caso, um dos depoimentos que embasam a investigação teria comparado a chance de uma empresa de fora vencer uma licitação a “ganhar na Mega-Sena”. A frase resume a gravidade da suspeita: se confirmada, a concorrência pública teria virado apenas encenação, com editais moldados para manter o controle nas mãos de um mesmo grupo.

Conforme informações divulgadas sobre o inquérito, sete empresas investigadas teriam participado de 461 licitações, somando mais de R$ 53 milhões em contratos públicos. O número, por si só, mostra que o caso não trata apenas de uma festa ou de um show isolado, mas de um possível modelo de contratação repetido em diferentes municípios catarinenses.

Entre os investigados está o vereador de Indaial Carlos Eduardo Cunha, o Dudu Cunha, do MDB. Ele é citado no procedimento como um dos nomes ligados às articulações das licitações. O Ministério Público chegou a pedir a prisão preventiva de oito investigados, entre empresários e agentes públicos, mas a Justiça deferiu apenas a prisão do empresário José Clemir Spinelli. Também foi determinada a indisponibilidade de cerca de R$ 9 milhões em bens e valores dos investigados, além de medidas cautelares como afastamento de funções, proibição de contratar com o poder público, restrição de acesso a repartições municipais e proibição de contato entre investigados e testemunhas. MPSC

A defesa de Dudu Cunha afirma que o vereador permanece à disposição das autoridades e sustenta que informações divulgadas de forma fragmentada ou descontextualizada não refletem, necessariamente, o conteúdo do procedimento investigatório criminal. Como o caso tramita sob sigilo, os investigados ainda não foram condenados, e a apuração deve respeitar o contraditório e a ampla defesa.

Mesmo assim, a operação acende um alerta político e administrativo. Em tempos em que municípios alegam falta de recursos para saúde, infraestrutura, escolas e serviços básicos, contratos milionários de eventos precisam ser analisados com lupa. Festa pública pode ser importante para cultura, turismo e economia local. Mas quando a contratação vira suspeita de cartel, o espetáculo deixa de ser entretenimento e passa a ser caso de polícia.

Agora, a perícia nos celulares e documentos apreendidos será decisiva. Se as suspeitas forem confirmadas, a Operação Pão e Circo pode expor não apenas empresários, mas também a forma como parte do poder público tratava licitações: como palco, roteiro e plateia previamente escolhidos.

FONTE/CRÉDITOS: REDAÇÃO

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