Aguarde, carregando...

TERÇA - FEIRA 26/05/2026
Notícias/Política

Embrapa avança na produção de alimentos à base vegetal com tecnologia de impressão 3D

Protótipos de salmão, caviar e lula são desenvolvidos com sabor e nutrientes similares aos originais.

Embrapa avança na produção de alimentos à base vegetal com tecnologia de impressão 3D
© Valter Campanato/Agência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Após 30 meses de intensa pesquisa, a Embrapa, por meio do Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) em Brasília, alcançou um marco significativo: o desenvolvimento de amostras de alimentos à base vegetal que replicam com fidelidade filés de salmão, caviar e anéis de lula. Essa inovadora iniciativa utiliza a tecnologia de impressão 3D de alimentos para criar protótipos que simulam não apenas a aparência, mas também o sabor e as características nutricionais dos produtos de origem animal.

Produzidos com o auxílio de impressoras 3D da própria Embrapa, esses protótipos vão além da mera replicação visual. Eles foram cuidadosamente formulados para apresentar um sabor e um perfil nutricional comparáveis aos alimentos que buscam mimetizar.

A bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora bolsista no LNANO, detalha o rigor do processo: "Nossa busca se concentrou em analisar a composição nutricional total da carne animal, com foco especial em carboidratos, lipídeos e proteínas." Em seguida, a equipe identificou nos recursos vegetais os ingredientes capazes de replicar essas proporções percentuais encontradas no tecido animal.

Leia Também:

Tintas alimentícias: a base da inovação

A formulação dessas amostras inovadoras envolveu a criação de "tintas alimentícias" especiais. Elas são compostas por uma mistura de proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, além de nanoingredientes, corantes naturais e espessantes, estes últimos utilizados para conferir a viscosidade desejada aos produtos.

Cínthia Bonatto ressalta que a composição dessas tintas alimentícias é bastante familiar: "Em sua maioria, os ingredientes são os mesmos que utilizamos em nossa culinária doméstica", afirma a pesquisadora.

O papel dos Bancos Ativos de Germoplasma

Uma porção significativa desses insumos cruciais foi sourceda nos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa. Esses bancos, frequentemente descritos como uma "arca de Noé" biológica, abrigam uma vasta coleção de material genético, com 140 acervos que preservam milhares de plantas, microrganismos e animais.

Luciano Paulino da Silva, coordenador dos projetos de impressão de alimentos, explica que o acesso ao material genético desse repositório da Embrapa é fundamental. "Isso nos permite elaborar alimentos de base vegetal com uma composição o mais similar possível à encontrada nos animais", afirma o pesquisador.

A biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz, também pesquisadora bolsista no LNANO, complementa que a aplicação dessa tecnologia viabiliza o "enriquecimento nutricional dos produtos impressos", abrindo novas perspectivas para a alimentação.

As potenciais aplicações dessa tecnologia são amplas e impactantes. Ela se mostra promissora no combate à fome e à subnutrição, além de oferecer alternativas para evitar a pesca predatória e o sofrimento animal no abate. Adicionalmente, pode atender a diversos públicos com restrições alimentares, como vegetarianos e veganos.

Perspectivas de mercado e testes

Os alimentos desenvolvidos no LNANO já passaram por testes de degustação com participantes humanos, após a devida liberação de uma comissão de ética. Embora o experimento esteja atualmente "na vitrine da Embrapa", conforme Luciano Paulino da Silva, ainda não há uma data definida para seu lançamento comercial.

O financiamento para esta pesquisa da Embrapa veio do Good Food Institute (GFI). Esta organização global sem fins lucrativos apoia ativamente a inovação em alimentos, incluindo a criação de produtos à base de plantas, o uso de microrganismos em processos de fermentação e a produção de carne cultivada em laboratório a partir de células animais.

A viabilidade da exploração comercial dependerá do modelo de negócios a ser adotado. As possibilidades incluem a produção de alimentos em impressoras domésticas para uso em restaurantes ou, alternativamente, a fabricação em larga escala industrial.

Globalmente, alimentos impressos já estão disponíveis comercialmente em países como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura. No cenário brasileiro, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) também se destaca, conduzindo experimentos em impressão de alimentos por meio de parcerias com a Escola de Medicina da Universidade Harvard e a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura.

FONTE/CRÉDITOS: Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Vale Europeu Notícias
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR