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Quarta-feira, 14 de Janeiro 2026

Notícias/Cotidiano

Polícia Federal inicia nova fase da Operação Overclean

O STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, buscando interromper a movimentação de valores ilícitos e preservar ativos para reparação aos cofres públicos.

Polícia Federal inicia nova fase da Operação Overclean
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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A Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal lançaram nesta terça-feira (13) a nona fase da Operação Overclean. O objetivo é desmantelar uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos de emendas parlamentares, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.

Em um comunicado, a PF informou que estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados da Bahia e no Distrito Federal. O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-Bahia) é o principal alvo da operação.

O comunicado detalhou que o STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. A medida visa interromper a movimentação de valores ilícitos e preservar os ativos para uma possível reparação aos cofres públicos.

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A PF acrescentou que os investigados podem ser responsabilizados por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.

Fases iniciais

A Operação Overclean teve sua primeira fase deflagrada em 10 de dezembro de 2024. Na ocasião, investigou-se o direcionamento de recursos públicos, oriundos de emendas parlamentares e convênios, para empresas e indivíduos com ligações a prefeituras na Bahia.

Naquele período, a PF revelou que o esquema contava com a colaboração de policiais, que forneciam informações sigilosas à organização criminosa, incluindo a identificação de agentes federais envolvidos nas investigações.

Também em dezembro de 2024, nas etapas iniciais das investigações, a Operação Overclean contou com o apoio da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations) para apurar o desvio de recursos públicos de emendas parlamentares e convênios.

Existiam suspeitas de superfaturamento em obras e desvio de recursos para “empresas e indivíduos ligados a administrações municipais”, que teriam movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão.

A PF informou, na ocasião, que o “esquema ilícito teria afetado diretamente o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), sobretudo na Coordenadoria Estadual da Bahia, e outros órgãos públicos”.

Por ordem judicial, oito servidores públicos foram afastados de suas funções.

Fases recentes

Em junho de 2025, durante a quarta fase da operação, foi determinado o afastamento de dois prefeitos baianos, suspeitos de desviar emendas parlamentares: Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira, de Ibipitanga; e Alan Machado, de Boquira.

Já em julho de 2025, na quinta fase da Overclean, o grupo investigado teria manipulado procedimentos licitatórios e desviado recursos públicos de emendas parlamentares destinadas ao município de Campo Formoso, na Bahia.

De acordo com os investigadores, houve também uma tentativa de obstruir as apurações. Naquele período, o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões de contas de pessoas físicas e jurídicas sob investigação.

A sétima fase da Overclean foi deflagrada em 16 de outubro. Nela, uma medida cautelar foi expedida, resultando no afastamento de um agente público suspeito de envolvimento no esquema.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades baianas de Riacho de Santana e Wenceslau Guimarães, além de Arraial do Cabo (RJ).

Na oitava fase da operação, no fim de outubro, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília, São Paulo, Palmas e Gurupi (TO), por determinação do STF.

* Colaborou Gabriel Brum, da Rádio Nacional

FONTE/CRÉDITOS: Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil*
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