A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) prevê um crescimento de aproximadamente 3% para o licenciamento de carros e veículos comerciais leves, como picapes e furgões, neste ano, totalizando mais de 2,6 milhões de unidades vendidas.
Em 2023, a venda desses veículos novos já havia registrado um desempenho positivo, com um aumento de 2,58% em comparação com o ano anterior, alcançando 2,5 milhões de unidades comercializadas.
Ao incluir os segmentos de caminhões e ônibus, a projeção de crescimento para este ano sobe para 3,02%, com quase 2,8 milhões de unidades vendidas. No ano anterior (2023), a soma de todos esses segmentos – automóveis, veículos leves, ônibus e caminhões – já havia crescido 2,08%, com 2,7 milhões de unidades licenciadas.
Contudo, Tereza Fernandez, economista da Fenabrave, avalia que o setor poderia estar crescendo ainda mais.
"Estamos longe de atingir o pico de 2011, quando foram vendidas 3,4 milhões de automóveis e comerciais leves, e 3,6 milhões incluindo caminhões e ônibus", explicou Fernandez. Ela acrescentou que "as condições macroeconômicas estão impedindo um crescimento maior. Estamos com um nível de endividamento das famílias muito alto, e os juros não devem cair na velocidade esperada. Tudo isso impede um crescimento mais robusto no setor."
Segmentos somados
Para o setor automotivo como um todo, que abrange automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos, a Fenabrave projeta um crescimento de 6,10% para este ano. Esse avanço será impulsionado principalmente pelo segmento de motocicletas, que deve crescer cerca de 10%.
Em 2023, a soma de todos esses segmentos já havia registrado um aumento de 8%, com 5,1 milhões de unidades emplacadas.
O segmento de caminhões, que teve um desempenho abaixo do esperado em 2023 devido às dificuldades de crédito e ao endividamento de empresas do agronegócio, tem uma expectativa de crescimento de cerca de 3%. Contudo, a economista da Fenabrave ressaltou que esse crescimento ocorrerá sobre uma base negativa, já que o segmento de caminhões encerrou 2023 com uma queda de 8,65%.
"O programa do governo Move Brasil, lançado neste ano para oferecer crédito na compra de caminhões, foi muito positivo", afirmou a economista. "Ele contribuirá para evitar um crescimento negativo e garantir um desempenho positivo para o segmento neste ano."
Tereza Fernandez pondera que esse desempenho poderia ser ainda melhor se não fossem os desafios macroeconômicos do país. "O crescimento sustentável no Brasil é difícil de ser alcançado porque, devido ao risco inflacionário, os juros estão sendo mantidos elevados", analisa.
Ela complementa que a questão do risco fiscal impede uma saída efetiva dessa situação.
"Sem esses entraves, talvez tivéssemos um desempenho um pouco melhor. Estamos com um crescimento estimado de 3,5% para caminhões este ano, mas poderia ser de 5% ou 6%. Há espaço e necessidade para isso, visto que 65% de tudo que é produzido é transportado por caminhão", concluiu.
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