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TERÇA - FEIRA 26/05/2026
Notícias/Política

Exportações brasileiras para os Estados Unidos registram queda de 14% em maio

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) aponta que a retração nas vendas para o mercado estadunidense persiste desde a implementação de tarifas em agosto do ano passado.

Exportações brasileiras para os Estados Unidos registram queda de 14% em maio
© Wilson Dias/Agência Brasil
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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou nesta quarta-feira (3) que as exportações brasileiras para os Estados Unidos apresentaram uma queda de 14% em maio, comparado ao mesmo período de 2025. Essa retração nas vendas para o mercado estadunidense tem sido uma tendência observada desde agosto do ano passado, quando as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump entraram em vigor.

Apesar da significativa redução, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, ressalta que os dados atuais não são suficientes para determinar uma mudança estrutural duradoura na relação comercial bilateral.

Brandão explicou que "é cedo para falar de mudança estrutural", pois os fluxos do comércio exterior demandam tempo para se ajustar. Ele destacou que a adaptação varia conforme a composição da pauta, com bens sob encomenda sendo mais sensíveis a choques.

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Por outro lado, commodities e alimentos, que representam grande parte da pauta com os Estados Unidos — incluindo petróleo, celulose, combustível, carne e café —, tendem a ser menos impactados. O diretor sugere que um aumento temporário de custos pode causar uma retração momentânea, mas a recuperação pode ser rápida.

O diretor também observou uma desaceleração no ritmo de queda das exportações para os Estados Unidos nos últimos meses.

Ele detalhou que a maior retração foi registrada em outubro, com 35%, seguida por 26% em janeiro. Contudo, essa diminuição tem se atenuado gradualmente, com quedas de 20% em fevereiro, 10% em março e abril, e 14% em maio.

O cenário do comércio bilateral com os Estados Unidos

Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic, o intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos demonstrou uma perda de ímpeto em maio.

Os indicadores mais relevantes para o período foram:

  • Exportações para os EUA: US$ 3,09 bilhões (redução de 14%)
  • Importações dos EUA: US$ 3,21 bilhões (queda de 11%)
  • Déficit comercial em maio: US$ 121 milhões

No balanço acumulado de janeiro a maio, os resultados foram:

Exportações: US$ 14,01 bilhões (retração de 16%)

Importações: US$ 15,48 bilhões (diminuição de 12,6%)

Déficit comercial: US$ 1,47 bilhão

A fatia dos Estados Unidos na pauta de exportações brasileiras também encolheu, caindo de 12% em maio de 2025 para 9,7% no mesmo mês deste ano.

Ascensão da China como parceiro comercial

Em contraste com a redução dos embarques para os Estados Unidos, a China consolidou sua posição como o principal destino das exportações brasileiras, expandindo sua participação.

Em maio, as vendas para o gigante asiático registraram um crescimento de 9,5%, totalizando US$ 10,5 bilhões. As importações provenientes da China, por sua vez, tiveram um aumento de 24,2%, atingindo US$ 6,8 bilhões.

Este cenário resultou em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões para o Brasil no mês.

Analisando os primeiros cinco meses do ano, os números são:

  • Exportações: US$ 43,26 bilhões (aumento de 21,8%)
  • Importações: US$ 30,76 bilhões (crescimento de 4,1%)
  • Superávit: US$ 15,5 bilhões

A participação da China na pauta exportadora brasileira avançou de 32,1% para 32,9% no período analisado.

Petróleo e derivados em evidência

Brandão também associou o expressivo crescimento das exportações de combustíveis derivados de petróleo, impulsionadas pela indústria de transformação, aos impactos do conflito no Oriente Médio.

Ele explicou que os choques de oferta resultantes da guerra provocaram uma elevação nos preços internacionais, o que, por sua vez, alavancou o valor total exportado pelo Brasil.

Em relação a maio, os dados foram:

  • As exportações de óleos combustíveis registraram um aumento de 75,2% em volume;
  • O valor total exportado cresceu 49,8%.

Contudo, as exportações de petróleo bruto apresentaram um cenário distinto, com uma queda de 9,3% em valor e uma retração de 42,1% no volume embarcado em maio, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Segundo o diretor do Mdic, essa variação é pontual e não tem relação com o imposto de exportação instituído pelo governo para o produto.

"O Brasil demonstra grande competitividade", afirmou Brandão. Ele assegurou que "a questão do imposto de exportação não deverá impactar a oferta brasileira para o mercado externo, especialmente em um contexto de preços internacionais elevados".

O diretor reforçou que as empresas mantêm a produção de petróleo e os investimentos no setor continuam em andamento.

Como ilustração, Brandão mencionou a recente entrada em operação de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano.

Balança comercial brasileira: superávit acumulado

Nos primeiros cinco meses de 2026, o Brasil alcançou um superávit comercial acumulado de US$ 32,662 bilhões, superando os US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior.

Este desempenho positivo foi majoritariamente impulsionado pelo incremento das exportações destinadas à China e pela performance robusta de produtos associados ao setor de energia e commodities, que são bens primários com cotação internacional.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

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