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TERÇA - FEIRA 26/05/2026
Notícias/Saúde

Estudo revela que um quarto dos brasileiros desconhece a prevenção do câncer

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta 781 mil novos casos anuais de câncer para o triênio 2026/2028, um aumento de 10,9% impulsionado por hábitos e envelhecimento.

Estudo revela que um quarto dos brasileiros desconhece a prevenção do câncer
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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Um relatório recente, intitulado "Mais Dados Mais Saúde - Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer", divulgado nesta quarta-feira (3), revelou que um quarto dos brasileiros desconhece a possibilidade de prevenção do câncer. Este estudo, fundamental para a saúde pública no Brasil, investiga como a população percebe e se relaciona com os principais fatores de risco para a doença.

A pesquisa aprofundou-se na percepção popular sobre elementos cruciais como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados e sedentarismo. Paralelamente, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima um aumento significativo, projetando 781 mil novos diagnósticos de câncer anualmente no triênio 2026/2028, um crescimento de 10,9% em comparação ao período anterior, atribuído principalmente ao envelhecimento populacional e aos hábitos de vida.

Esta é a primeira edição de um levantamento de abrangência nacional que explora o conhecimento dos brasileiros acerca da prevenção do câncer, analisando suas opiniões e práticas. A iniciativa contou com a colaboração das organizações Umane e Vital Strategies, o suporte do Instituto Devive e a parceria técnica do Inca, entrevistando 6,5 mil indivíduos em todas as unidades federativas e no Distrito Federal.

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Fatores de risco e percepção

Enquanto hábitos como o tabagismo e a exposição solar desprotegida são amplamente reconhecidos como perigosos, outros fatores de risco para o câncer ainda carecem de percepção similar. O sedentarismo, por exemplo, figura entre os menos identificados, com menos da metade dos brasileiros (48,3%) associando a falta de atividade física ao desenvolvimento da doença.

Luciana Grucci Moreira, Chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, destaca uma melhoria na percepção da população brasileira em comparação a estudos internacionais. O tabagismo é um exemplo claro, com 90,5% dos adultos reconhecendo-o como um fator de risco para o câncer. Herança genética (89,4%) e exposição solar excessiva (88,3%) também apresentam altos índices de reconhecimento.

Contudo, a percepção é menor para outros elementos, como bebidas alcoólicas, identificadas como fator de risco por 71,3% dos entrevistados. Alimentos embutidos (presunto, salsicha) e ultraprocessados (macarrão instantâneo, salgadinhos, sorvete) são reconhecidos por 70,7% e 65,6%, respectivamente.

A especialista atribui as variações na percepção à eficácia das políticas públicas e campanhas informativas, citando o exemplo do cigarro. "Advertências em embalagens, impostos para elevar o preço do tabaco, ambientes restritos de fumo... um conjunto de políticas públicas e muita campanha informativa foram desenvolvidas acerca do tabaco", compara Luciana Moreira.

Para ampliar a conscientização da população, a Chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca enfatiza a necessidade de replicar essas ações bem-sucedidas para os demais fatores de risco associados ao câncer.

O relatório também aponta para o desconhecimento sobre o aleitamento materno como fator de proteção contra o câncer de mama; quatro em cada dez entrevistados ignoram essa informação. "A mulher que amamenta tem uma proteção maior contra o câncer de mama quando comparada com aquela mulher que não tem oportunidade de amamentar", explica a especialista.

Obesidade e hábitos alimentares

Sobrepeso e obesidade são reconhecidos como fatores de risco para o câncer por apenas 54,1% dos brasileiros. O consumo de bebidas adoçadas (55,3%), a baixa ingestão de frutas e verduras (53,3%) e o sedentarismo (48,3%) apresentam reconhecimento similarmente baixo. A carne vermelha, por sua vez, é associada ao aumento do risco de câncer por menos de três em cada dez brasileiros (27,5%).

"Não é apenas a informação que determina as escolhas alimentares", pondera a especialista, ressaltando a influência de fatores como acesso, renda, preço e marketing. Ela defende a necessidade de políticas públicas abrangentes para aprimorar não só a percepção, mas também as escolhas saudáveis da população, reforçando a importância de prevenir fatores de risco ambientais e comportamentais, como a inatividade física e a alimentação inadequada.

"Não basta apenas dizer 'faça atividade física'. É preciso que a rua esteja iluminada e segura para a prática de exercícios", ilustra. A política pública desempenha um papel crucial ao oferecer opções que facilitem escolhas mais saudáveis em relação a todos esses fatores de risco.

Hábitos e intenção de mudança

O estudo também explorou os hábitos da população ligados aos fatores de risco para o câncer, como o consumo de embutidos, ultraprocessados, carne vermelha e bebidas adoçadas, investigando a intenção de redução desses hábitos.

Aproximadamente 45% dos entrevistados consomem ultraprocessados e tentaram reduzir, enquanto 33% não consomem e 15% não pretendem mudar. Para refrigerantes e bebidas adoçadas, 53% relataram consumo com tentativa de redução, 27% não consomem e 15% não têm intenção de reduzir.

Quanto à carne vermelha, 45% consomem sem intenção de reduzir, 40% consomem e buscam diminuir, e cerca de 10% não consomem. Em contraste, 86,3% da população consome frutas, legumes e verduras, e 8,3% dos que não consomem manifestam interesse em iniciar.

Perfil dos jovens

O relatório aponta que jovens até 24 anos são os que mais consomem alimentos associados a fatores de risco sem intenção de redução. Este comportamento é observado em 32,3% para ultraprocessados, 24,4% para bebidas adoçadas, 29,5% para embutidos e 49,1% para carne vermelha.

Em relação às bebidas alcoólicas, fator de risco para ao menos oito tipos de câncer, metade da população (50,1%) não as consome, enquanto 32,5% dos consumidores já tentaram reduzir. Jovens até 24 anos representam a maior parcela (16,9%) entre os que bebem sem intenção de mudar, superando as faixas etárias de 25 a 59 anos (8,7%) e acima de 60 anos (7,1%).

Sedentarismo e renda

No que tange ao sedentarismo, 52,2% dos entrevistados praticam atividade física e 39% desejam iniciar. A importância da atividade física na prevenção do câncer é mais reconhecida entre os mais ricos: 45% dos que recebem até R$ 2 mil demonstraram menor conhecimento sobre o sedentarismo como fator de risco, em contraste com 59,6% daqueles com renda acima de R$ 10 mil.

Sobre o peso corporal, 48,8% se consideram saudáveis. Dos que admitem excesso de peso, 31% estão agindo para mudar, mas essa proporção é menor (22,9%) entre indivíduos com renda inferior a R$ 2 mil, em comparação com mais de 40% naqueles com renda superior a R$ 3 mil.

Estratégias de comunicação e saúde pública

Para Luciana Moreira, gestora do Inca, os resultados do estudo são cruciais para planejar a disseminação de informações qualificadas à população. "Se a população não reconhece que carnes processadas aumentam o risco de câncer, essa é uma informação vital para quem atua na prevenção e formula políticas públicas, indicando a necessidade de investir em estratégias de comunicação", afirma.

Luciana Sardinha, da Vital Strategies, acredita no impacto positivo do estudo para despertar o interesse público. "Ao dar visibilidade aos resultados, eles chamam a atenção da população para os fatores de risco para o câncer", conclui.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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