Flávio Bolsonaro foi até Washington pedir ajuda ao governo Trump para combater o PCC e o Comando Vermelho no Brasil. É quase emocionante ver o patriotismo seletivo em ação: a mesma turma que passa o dia gritando “Brasil acima de tudo” agora atravessa continentes para pedir socorro político aos Estados Unidos. Pelo visto, a soberania nacional só vale quando é para fazer discurso em motociata.A cena é curiosa. Um senador brasileiro indo à capital americana denunciar o crime organizado do próprio país, como se o Brasil fosse uma colônia incapaz de enfrentar seus próprios desafios institucionais. Faltou apenas entregar um PowerPoint em inglês com a legenda: “Please save us”.
E há uma ironia ainda maior nisso tudo: durante anos, venderam a imagem de que tinham “tolerância zero” contra o crime. Diziam que bastava liberar armas, endurecer discursos e posar para fotos com cara fechada que as facções desapareceriam magicamente. Resultado? PCC e CV continuam fortes, organizados e infiltrados em diversas estruturas do país. Agora, depois de tanto marketing de valentia, recorrem ao velho “Tio Sam” para tentar demonstrar relevância internacional.
Talvez seja a nova versão do patriotismo bolsonarista: enrola-se na bandeira brasileira durante o dia e bate continência para interesses estrangeiros à noite.
Enquanto isso, os problemas reais da segurança pública seguem exigindo inteligência, investimento, cooperação institucional, combate à lavagem de dinheiro e políticas sérias de Estado, coisas muito menos cinematográficas do que viajar para Washington em busca de aplausos ideológicos.
No fim, fica a impressão de que a viagem não foi exatamente para combater facções. Foi mais uma tentativa desesperada de exportar narrativa política e importar alguma atenção internacional. Porque combater o crime organizado dá muito trabalho. Já fazer turismo político rendendo manchete… isso eles dominam.
FONTE/CRÉDITOS: Alfroh Postai
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