Um novo relatório divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Itaú Social, em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), revela que as redes municipais de ensino priorizam estratégias de letramento e linguagem em detrimento da matemática na educação infantil. Embora 76% dos municípios implementem práticas voltadas à linguagem e cultura escrita, apenas 48% o fazem em relação ao letramento matemático, com 20% das secretarias afirmando não possuir iniciativas nesse sentido para a primeira infância.
O estudo, que contou com a participação de 2.712 redes municipais, detalha a realidade da educação infantil no Brasil, identificando avanços e gargalos significativos. Uma preocupação levantada é que 23% das prefeituras desconhecem se as unidades conveniadas, parceiras na oferta de vagas, também adotam essas estratégias pedagógicas.
Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, enfatiza a necessidade de mecanismos de acompanhamento e padronização para mitigar desigualdades educacionais entre as redes.
Rotina consolidada
A publicação destaca que 62% das redes municipais apoiam o contato das crianças com a natureza, 58% oferecem formação continuada em desenvolvimento infantil e 56% atuam para garantir o acesso e permanência dos alunos.
Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da Undime, reitera a importância crucial da educação infantil para o desenvolvimento futuro das crianças.
Regime de colaboração
O levantamento aponta que 67% das redes municipais recebem apoio das secretarias estaduais para a educação infantil, principalmente em formações e suporte técnico. Contudo, um terço dos municípios não conta com auxílio estadual, necessitando principalmente de suporte financeiro, formações e materiais didáticos.
Sonia Dias ressalta a urgência de uma coordenação mais eficaz entre União, estados e municípios para reduzir disparidades regionais e amparar redes menores.
Organização pedagógica
A maioria dos municípios (63%) adota a matriz curricular estadual na educação infantil, enquanto 34% possuem um currículo próprio. Entre as secretarias com Projeto Político-Pedagógico (PPP), 37% enfrentam dificuldades em adequá-lo à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
A adaptação do PPP às diretrizes da BNCC é mais desafiadora nas pré-escolas conveniadas em comparação às redes diretas.
Transição para o ensino fundamental
O relatório indica fragilidades na transição de crianças da pré-escola para o 1º ano do ensino fundamental. Dezessete por cento das redes não realizam planejamento articulado entre as etapas, e 13% não empregam estratégias básicas de transição, como portfólios.
A mudança de um ambiente lúdico para um com maior rotina de conteúdos representa um dos principais desafios, exigindo ações de acolhimento e gestão eficazes.
Infraestrutura deficitária
A infraestrutura física inadequada lidera os desafios na gestão da educação infantil, apontada por 23% dos dirigentes municipais. Queixas incluem repasses insuficientes para manutenção, falta de investimentos e escassez de recursos para ampliação de vagas em creches.
Inclusão e diversidade
A inclusão de crianças com deficiência e neurodivergências é outro entrave pedagógico significativo, afetando 15% dos gestores. A expansão do acesso à educação infantil requer qualificação dos ambientes, com acessibilidade arquitetônica e materiais adaptados.
A oferta educacional para populações vulnerabilizadas, como do campo, indígena e quilombola, é limitada, com apenas 28% das secretarias municipais implementando propostas específicas.
Formação continuada
A falta de formação adequada para professores e gestores em desenvolvimento infantil, a carência de equipes para ministrar cursos e a baixa adesão dos profissionais são desafios centrais na educação infantil.
Apenas 20% das redes oferecem formação continuada às unidades conveniadas, ou esta é de menor duração que nas unidades próprias. Sonia Dias reforça a importância de políticas que garantam formação continuada, inclusive para suprir deficiências da formação inicial.
Expansão do tempo integral
O relatório conclui que as políticas públicas nacionais devem focar na qualificação dos ambientes educacionais, superando a mera abertura de vagas. A gestão de novas vagas em creches e a expansão do tempo integral empatam com 8% das menções como desafios na gestão da educação infantil.
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