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Banco Central mantém Selic em queda e justifica decisão por "melhores práticas" contra choques de oferta

Ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, detalha que a autarquia prossegue com o ciclo de redução da taxa básica de juros, apesar das pressões inflacionárias.

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© Marcello Casal JrAgência Brasil
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O Banco Central (BC) decidiu manter o ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, mesmo diante da piora no cenário para a inflação. A justificativa do Comitê de Política Monetária (Copom), conforme ata divulgada nesta terça-feira (23), baseia-se nas "melhores práticas" de política monetária, que recomendam não reagir integralmente a variações de preços causadas por choques de oferta inesperados.

Na reunião da semana passada, o colegiado efetuou um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que passou de 14,5% para 14,25% ao ano. Este é o terceiro corte consecutivo desde março, após a taxa ter permanecido em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, de junho de 2025 a março deste ano.

O documento aponta que as flutuações de preços atuais estão ligadas a incertezas significativas. Entre elas, destacam-se as pressões do conflito armado no Oriente Médio sobre os preços globais de petróleo e combustíveis, além dos impactos climáticos do fenômeno El Niño, que ainda estão sendo projetados.

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“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, afirma a ata.

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Cenário da inflação oficial

Em maio, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou 0,58%, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos.

O IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse valor já se encontra fora da meta de inflação, que varia entre 1,5% e 4,5%.

A autoridade monetária reconheceu na ata que o atual cenário inflacionário de curto prazo apresenta desafios, sendo pressionado por leituras elevadas do IPCA corrente.

Contudo, o Banco Central ressaltou que adotar trajetórias da Selic mais alinhadas às expectativas dos analistas de mercado é uma abordagem mais adequada. Essa estratégia visa evitar a indução de volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e nos agregados macroeconômicos.

A previsão do mercado financeiro para o IPCA é de 5,33% para este ano e 4,15% para 2027.

Durante o encontro, o Copom avaliou simulações com diferentes combinações de pausas e retomadas no ciclo de juros. Essas projeções indicaram que trajetórias alternativas podem resultar em menor flutuação do produto e são compatíveis com uma suavização macroeconômica, garantindo a convergência da inflação para o centro da meta no primeiro trimestre de 2028, que agora é o horizonte relevante oficial do BC.

Apesar da flexibilização gradual, a ata reforça a postura de firme cautela. Diante da resiliência da atividade econômica doméstica, que continua surpreendendo positivamente e dificultando a desaceleração da inflação de serviços, os diretores sinalizaram que os futuros passos da taxa de juros serão ajustados conforme os novos dados econômicos.

“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, concluiu o Banco Central.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

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