A Agenda Legislativa Mulheres do Brasil, lançada oficialmente nesta quarta-feira (10) em sessão solene no Congresso Nacional, estabelece como prioridade a implementação de cotas para mulheres no Poder Legislativo. O documento consolida propostas legislativas e leis já aprovadas que necessitam de efetivação, com o objetivo de aprimorar políticas públicas voltadas ao público feminino e aumentar sua representatividade política.
Entre as iniciativas em destaque está o Projeto de Lei Complementar (PLP) 112/21, que propõe a reserva de 20% das vagas em todos os níveis do Legislativo (federal, estadual e municipal) para mulheres. A senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) ressaltou que, apesar de as mulheres comporem 51,5% da população brasileira, sua representação nas casas legislativas ainda é significativamente menor, ocupando apenas 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 19% no Senado.
“Não se trata de uma disputa de homens e de mulheres, mas da representatividade, da posição e da necessidade de que cada uma de nós, com nossa representação, mostremos para o país inteiro que nós temos voz, temos voto e temos direitos”, afirmou a senadora.
Esta proposta de reserva de vagas está inserida em um projeto maior que visa criar um novo Código Eleitoral, unificando legislação e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A senadora também mencionou o PLP 218/23, que institui um orçamento sensível ao gênero na administração pública federal, buscando ativamente a redução das desigualdades entre homens e mulheres.
Fortalecendo a democracia com participação feminina
A deputada Jack Rocha (PT-ES), coordenadora-geral da bancada feminina na Câmara, enfatizou que a elaboração de leis, o aprimoramento de políticas públicas e a fiscalização das ações estatais são cruciais para expandir oportunidades para toda a sociedade.
“A democracia só se fortalece quando mais mulheres participam da vida pública e têm suas vozes representadas nas instituições. Mas a presença não se resume a números ou estatísticas. Quando uma mulher ocupa a política, não é apenas uma cadeira que se preenche; é a democracia que se amplia”, declarou Rocha.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), coordenadora de um dos eixos do Observatório Nacional da Mulher na Política, citou avanços recentes importantes, como a ampliação da licença-paternidade e a Lei 14.214/21, que garante a distribuição gratuita de absorventes higiênicos.
Outras leis mencionadas incluem a Lei 14.986/24, que promove a valorização de mulheres históricas no currículo escolar, e a Lei 15.177/25, que estabelece cotas para mulheres em conselhos de administração de empresas públicas e de economia mista.
“A gente precisa ter nesses conselhos pelo menos um terço de mulheres e, dentro desse um terço, um terço reservado para mulheres negras e mulheres com deficiência. Como a senadora Dorinha trouxe, não dá para travar a luta pela igualdade sem olhar para as mulheres negras e para as mulheres com deficiência”, complementou Amaral.
Mobilização para aprovação de propostas
Janete Vaz, presidente do núcleo do Distrito Federal do Grupo Mulheres do Brasil, sublinhou a relevância da mobilização coletiva para a aprovação dos projetos contemplados na agenda legislativa.
“Precisamos de cada uma de vocês para contribuir na construção desse consenso, no aprimoramento das soluções legislativas e no fortalecimento do processo legislativo, mais participativo e mais conectado à realidade das mulheres brasileiras”, destacou Vaz.
A Agenda Legislativa Mulheres do Brasil foi desenvolvida em colaboração entre a Secretaria da Mulher e parlamentares femininas.
O documento está estruturado em sete eixos temáticos principais:
- Enfrentamento à violência contra a mulher
- Participação política e representatividade
- Autonomia econômica e trabalho
- Saúde da mulher
- Orçamento sensível ao gênero
- Educação e formação
- Violência digital, inteligência artificial e ambiente on-line
O Grupo Mulheres do Brasil, fundado em 2013 com 40 membros, hoje congrega mais de 140 mil ativistas. A organização opera através de 19 comitês e 162 núcleos, tanto no Brasil quanto internacionalmente, com o propósito de formular propostas e promover a igualdade de oportunidades, a diversidade e os direitos humanos.
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