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4-3-3 COM FALSO 9 (E NÃO ESTOU FALANDO DE FUTEBOL)

Às vésperas de mais uma eleição, o país continua sem saber qual esquema tático pretende disputar.

4-3-3 COM FALSO 9 (E NÃO ESTOU FALANDO DE FUTEBOL)
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Perdemos a Copa, mas, ainda assim, confesso sentir certa inveja do escrete canarinho. Acertado ou equivocado, ousado ou conservador, ele sempre entra em campo com um esquema tático, um projeto definido (ainda que soframos, volta de meia, de “apagões”. Pode ser um 4-4-2, um 4-3-3 com falso 9 ou qualquer outra variação. Com a posse de bola, organiza-se de um jeito; sem ela, reorganiza-se de outro. É verdade que, apesar de toda a estratégia, quase sempre depositamos nossas esperanças na genialidade de um predestinado – Pelé, Romário, Ronaldo, Neymar – para vencer. Talvez seja nossa velha herança sebastianista. Mas, antes do talento individual, existe um plano coletivo. Daí a minha inveja.

Mas e o país Brasil? Qual é o nosso esquema tático? Qual é o projeto de país que nos orienta? Às vezes, parece que nossa única estratégia nacional é o "salve-se quem puder" ou o velho "farinha pouca, meu pirão primeiro". Vivemos de improvisos, de soluções emergenciais e de disputas imediatas, enquanto os problemas estruturais seguem acumulando poeira à espera de um governo que resolva enfrentá-los, sendo postergados e empurrados para a próxima geração. Estamos sempre adiando o sacrifício geracional.

Falo sério.

Qual é o nosso plano para resgatar a educação brasileira dos constrangedores indicadores internacionais? Como estamos nos preparando para a revolução da inteligência artificial e seus impactos sobre o mercado de trabalho? O que pretendemos fazer diante das mudanças climáticas? Como transformar universidades em centros de pesquisa de desenvolvimento econômico? Como enfrentaremos o envelhecimento da população, quando houver mais aposentados do que contribuintes sustentando o INSS? Como fazer o Brasil crescer sem depender apenas de commodities e consumo interno? Qual o plano para recuperar a competitividade da indústria nacional? Como reduzir o crescimento da dívida pública e controlar o gasto obrigatório? Como enfrentar o crime organizado?

Essas são apenas algumas questões que precisam ser respondidas, com clareza. E já.

Estas questões tornam-se ainda mais urgentes porque estamos às vésperas de mais uma eleição. No entanto, ninguém apresenta um projeto claro para enfrentá-las.

Metaforicamente — já que começamos falando de futebol — estamos assistindo pré-candidatos fazendo embaixadinhas, tentando convencer o eleitor de que são o próximo Ronaldinho Gaúcho. E a torcida, dividida em arquibancadas, limita-se a discutir quem é menos perna-de-pau, quem foge menos da concentração, sem perceber que ninguém mostrou o mais importante: o esquema de jogo que o treinador pretende armar o país.

Na eleição que se aproxima, não podemos cometer o mesmo erro que cometemos ao assistir à Seleção. Ao invés de nos iludir, devemos questionar qual será o esquema tático, qual será o projeto e para onde o candidato pretende levar o estado, o país. Porque nenhuma nação – ou seleção – constrói o futuro sem saber, antes de tudo, qual jogo pretende jogar.

 

FONTE/CRÉDITOS: FERNANDO BECKER (@escritor_fernandobecker)

Comentários

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Marcelo Luiz Bertelli • 06/07/2026 13:07
Excelente 👏🏽👏🏽👏🏽
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