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TERÇA - FEIRA 26/05/2026
Notícias/Saúde

Uso indiscriminado de corticoides eleva risco de glaucoma e cegueira, alerta especialista

A Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) emite um alerta sobre os perigos da automedicação com corticoides, que podem causar o aumento da pressão ocular e levar à perda irreversível da visão.

Uso indiscriminado de corticoides eleva risco de glaucoma e cegueira, alerta especialista
© Arquivo/Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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O uso inadequado e sem prescrição médica de corticoides tem sido associado a um aumento significativo nos casos de glaucoma, uma doença ocular grave que pode resultar em cegueira. O alerta vem de Roberto Murad Vessani, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), que destaca os riscos da automedicação com essas substâncias.

O glaucoma é caracterizado pelo dano ao nervo óptico, geralmente provocado pela pressão intraocular elevada. Sem cura, a condição pode evoluir para a perda total da visão se não for tratada adequadamente.

Estima-se que aproximadamente 1,7 milhão de brasileiros vivenciem a doença. Vessani aponta que entre 2,5% e 3,5% dos indivíduos com mais de 40 anos já apresentam algum estágio de glaucoma.

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Tanto colírios destinados ao alívio de irritações oculares quanto outras formas de medicamentos corticoides, como pomadas e comprimidos, podem desencadear o glaucoma quando empregados sem supervisão profissional.

Os corticoides são potentes anti-inflamatórios utilizados para tratar diversas condições, incluindo inflamações oculares, alergias, problemas respiratórios e dores inflamatórias. A rápida melhora proporcionada por esses medicamentos leva muitos pacientes a reaplicá-los autonomamente ao ressurgirem os sintomas.

No entanto, o uso prolongado pode desregular o funcionamento ocular, dificultando a drenagem do humor aquoso, o líquido interno do olho. Esse acúmulo eleva a pressão intraocular, e se mantida por longos períodos, pode causar lesões permanentes no nervo óptico, culminando no glaucoma.

Além dos riscos oculares, o uso indiscriminado de corticoides acarreta outros efeitos adversos no organismo, como elevação da glicose sanguínea, descontrole do diabetes, ganho de peso, retenção hídrica, hipertensão, fragilidade óssea, maior suscetibilidade a infecções e alterações hormonais.

Alerta de Saúde Pública

A SBG, em colaboração com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), enviou um comunicado oficial à Anvisa, ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a diversas entidades médicas. O objetivo é alertar sobre os perigos do uso generalizado de formulações com corticoides pela população.

“É uma situação muito grave e, na verdade, configura um problema de saúde pública”, enfatizou Vessani.

Paralelamente às discussões com órgãos reguladores, foram realizadas reuniões com o objetivo de sensibilizar legisladores para a busca de soluções. A proposta é implementar um rigor similar ao controle já existente para a venda de antibióticos, conforme sugerido por Vessani.

Vessani ressaltou que diversas especialidades médicas, como ortopedia, reumatologia, pediatria e geriatria, frequentemente prescrevem corticoides. Isso representa um risco adicional para pacientes que, inadvertidamente, já possam ser portadores de glaucoma.

Sensibilidade e Prevenção

O presidente da SBG lembrou que cerca de 90% dos pacientes diagnosticados com glaucoma exibem sensibilidade aumentada aos corticoides. Essa sensibilidade pode levar a um aumento acentuado da pressão ocular, agravando significativamente a condição existente.

Em crianças com histórico de alergias, especialmente oculares, o uso crônico e desinformado de colírios com corticoides pelos pais pode elevar a pressão intraocular ou induzir o desenvolvimento precoce de catarata.

No âmbito oftalmológico, Vessani esclarece que o uso de colírios antibióticos apresenta um risco consideravelmente menor em comparação ao emprego indiscriminado de colírios corticoides.

“Para nós, é fundamental que o uso de corticoides, em suas diversas apresentações, receba o mesmo nível de controle aplicado aos antibióticos.”

A prescrição de antibióticos, por exemplo, exige duas vias da receita médica. Uma delas fica retida na farmácia, servindo como registro para órgãos reguladores e garantindo que a medicação foi devidamente prescrita ao paciente.

“Existe um controle sobre essa prescrição médica. Esse seria um caminho para aumentar a segurança na prescrição e também para impedir que indivíduos adquiram essas medicações para autotratamento sem consultar um médico.”

Campanhas de Conscientização

Através de campanhas informativas, a SBG, o CBO e a SBOP buscam educar outras especialidades médicas sobre os riscos oculares associados ao uso crônico de corticoides.

“Isso contribui para a mitigação de riscos e a prevenção de complicações visuais graves em pacientes em tratamento para condições crônicas de saúde em diversas especialidades.”

Após algumas semanas de uso contínuo de corticoides, podem ocorrer elevações na pressão ocular. “E esses pacientes, se mantiverem o uso dessas medicações, correm o risco de desenvolver glaucoma e, consequentemente, perder a visão.”

Em muitos países desenvolvidos, o controle sobre o uso de corticoides é mais rigoroso, observou Vessani. Há uma troca de informações mais efetiva entre as diferentes especialidades médicas em comparação com a realidade brasileira.

“A grande preocupação reside na informação e na conscientização tanto da população quanto dos profissionais de saúde que prescrevem essas medicações”, reforçou.

Grupos de Risco e Monitoramento

Segundo Roberto Vessani, a prevalência de glaucoma tende a dobrar a cada década a partir dos 40 anos.

“Muitas pessoas possuem outras condições de saúde que podem demandar o uso crônico de corticoides. Há pacientes idosos, com 70 ou 80 anos, que frequentemente já convivem com glaucoma e, devido a outras enfermidades, necessitam de corticoides. Esses medicamentos podem agravar problemas oculares, aumentando o risco e o perigo”, alertou Vessani.

As três principais entidades oftalmológicas do país recomendam o monitoramento regular da pressão intraocular em pacientes que utilizam medicações corticoides por períodos extensos, com atenção especial a crianças e indivíduos pertencentes a grupos de risco.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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