O programa Universidade Gratuita, principal vitrine da gestão de Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina, está no centro de uma bomba política e administrativa. Um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) revelou mais de 16 mil falhas na concessão de bolsas, acendendo o alerta sobre a falta de controle e transparência na execução do projeto bilionário que prometia democratizar o acesso ao ensino superior.
Segundo o documento técnico divulgado nesta semana, foram identificados problemas graves na análise de renda dos estudantes, ausência de documentação obrigatória, inconsistências cadastrais e até beneficiários fora dos critérios exigidos. O cenário é preocupante: alunos que não deveriam ter sido contemplados receberam bolsas, enquanto estudantes em situação de vulnerabilidade ficaram de fora.
O governo estadual não demorou a reagir, alegando que as falhas são “pontuais” e que medidas já estão sendo tomadas para corrigir os erros. Mas o estrago está feito. A oposição na Assembleia Legislativa já fala em abrir uma CPI e questiona se o programa foi lançado às pressas por motivações eleitorais, mais preocupado em gerar manchetes do que resultados concretos.
A iniciativa, lançada com pompa no início do mandato de Jorginho, previa mais de R$ 1 bilhão para custear bolsas em universidades comunitárias, atingindo estudantes de baixa renda. Agora, com as 16 mil falhas expostas, o que deveria ser um modelo de inclusão se vê ameaçado por suspeitas de má gestão, favorecimento político e desrespeito ao dinheiro público.
Enquanto o governo tenta controlar a crise, cresce o clamor por transparência, responsabilização e, sobretudo, respeito à promessa feita aos estudantes catarinenses. Afinal, o que está em jogo não é apenas um programa de bolsas — é a credibilidade de uma política pública e a confiança de milhares de famílias que acreditaram nela.
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