Aguarde, carregando...

TERÇA - FEIRA 26/05/2026
Carregando jogos...
Notícias/Saúde

Ondas de calor causaram 120 mil mortes no Brasil em 20 anos, aponta estudo

Pesquisa da Fiocruz e UFBA revela aumento de internações por doenças respiratórias, renais e gastrointestinais durante temperaturas extremas, com idosos e vulneráveis em maior risco.

Ondas de calor causaram 120 mil mortes no Brasil em 20 anos, aponta estudo
© Paulo Pinto/Agência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (17) estima que cerca de 120 mil mortes no Brasil, entre 2000 e 2019, foram associadas a ondas de calor. Este número representa 0,6% da mortalidade total no período, desconsiderando óbitos por causas externas como acidentes e violência.

O levantamento também indicou um aumento no risco de hospitalizações por enfermidades respiratórias, renais e gastrointestinais durante eventos de calor extremo.

A pesquisa Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS foi conduzida por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Leia Também:

A coordenação técnica dos projetos envolve o Ciência&Clima, uma cooperação entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), além do ProAdapta, uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMUKN).

Os dados analisados englobam 5.566 municípios brasileiros, com apenas quatro excluídos por questões técnicas. As análises confirmam uma relação direta entre a exposição ao calor intenso e o aumento da mortalidade, afetando de forma mais crítica idosos, pessoas com doenças respiratórias, mulheres e indivíduos com menor nível de escolaridade.

Beatriz Oliveira, pesquisadora da Fiocruz, ressaltou a importância do estudo para um diagnóstico nacional mais completo. “A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade”, explicou.

Ela acrescentou que os efeitos são perceptíveis em todo o território brasileiro e que os resultados permitem uma melhor compreensão do problema, orientando políticas públicas mais eficazes. Ismael Silveira, pesquisador da UFBA, destacou que os achados alertam para a gravidade da situação.

“Uma importante implicação é o reconhecimento das ondas de calor como um risco importante para a saúde pública. Com isso, podemos chamar atenção para planos de contingência específicos, além de fortalecer a capacidade tanto de antecipação quanto de resposta do SUS”, afirmou Silveira.

Internações

Conforme o estudo, as ondas de calor elevam consistentemente o risco de internações por doenças respiratórias, como pneumonia, e por condições geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões do país.

Em crianças com menos de 10 anos, as gastroenterites foram identificadas como a principal causa de hospitalização associada ao calor extremo. Pesquisadores apontam que a maior vulnerabilidade à desidratação e alterações ambientais na qualidade da água e conservação de alimentos contribuem para este cenário.

A população com mais de 60 anos demonstrou alta sensibilidade a doenças respiratórias, renais e metabólicas, incluindo diabetes. O estudo também sugere que eventos cardiovasculares durante ondas de calor podem agravar-se rapidamente, elevando o risco de morte antes mesmo da hospitalização.

Sávio Raeder, supervisor de Impactos, Vulnerabilidades e Adaptação do projeto Ciência&Clima, apontou que os resultados evidenciam desigualdades sociais nos impactos do calor extremo. “Na morbidade hospitalar, exploramos diferentes desfechos de saúde, um tema ainda pouco estudado no país. Na mortalidade, identificamos um gradiente social de risco, com maior aumento percentual do risco de morte entre pessoas com menor escolaridade”, disse Raeder.

Ele enfatizou a necessidade de direcionar ações de adaptação e proteção aos grupos mais vulneráveis. “Esses resultados reforçam a necessidade de direcionar ações de adaptação e proteção aos grupos mais vulneráveis”, concluiu.

Calor mais frequente

A pesquisa indica que a maioria dos municípios brasileiros experimentou um aumento na frequência e intensidade das ondas de calor entre 2000 e 2019. As regiões Norte e Centro-Oeste registraram os eventos mais frequentes e duradouros, enquanto o Sul e Sudeste observaram os episódios de maior intensidade em relação às médias históricas.

Os autores recomendam o aprimoramento dos sistemas de monitoramento e alerta antecipado para ondas de calor, além da integração de informações climáticas às ações de vigilância epidemiológica e ambiental do Sistema Único de Saúde (SUS).

Maurício Guerra, diretor de Meio Ambiente Urbano do MMA e integrante do projeto ProAdapta, afirmou que os resultados comprovam os impactos relevantes do calor extremo na saúde da população brasileira. “A pesquisa traz uma mensagem inequívoca: o calor extremo já está custando vidas no Brasil. Os mais de 120 mil óbitos associados às ondas de calor revelam que a adaptação à mudança do clima precisa avançar com urgência, ampliando a construção de cidades verdes e resilientes”, declarou Guerra.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Vale Europeu Notícias
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR