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Quinta-feira, 21 de Maio 2026
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Brasileiros com diabetes defendem tecnologias no tratamento para melhor bem-estar

Pesquisa revela que a maioria dos pacientes, sobretudo aqueles com diabetes tipo 1, considera o monitoramento preditivo crucial para gerenciar a doença e reduzir seu impacto emocional.

Brasileiros com diabetes defendem tecnologias no tratamento para melhor bem-estar
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
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A busca por melhor qualidade de vida e controle da doença impulsiona a demanda por **tecnologias** avançadas entre brasileiros que vivem com **diabetes**. Uma pesquisa global, realizada em setembro de 2025 pelo Global Wellness Institute (GWI) em parceria com a Roche Diagnóstica, aponta que a maioria dos pacientes no Brasil, especialmente aqueles com diabetes tipo 1, considera o **monitoramento** contínuo e preditivo da glicose essencial para gerenciar a condição e mitigar o impacto emocional significativo que a doença provoca.

O estudo, que explorou percepções sobre o diabetes e as ferramentas de manejo, revelou que sete em cada dez brasileiros (70%) afirmam que a condição afeta profundamente seu bem-estar emocional.

Além disso, 78% relatam sentir ansiedade ou preocupação com o futuro, e dois em cada cinco pacientes se sentem sós ou isolados devido à doença.

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A pesquisa envolveu 4.326 pessoas com diabetes, com idade igual ou superior a 16 anos, em 22 países, incluindo o Brasil, que representou 20% da amostra. Entre os pacientes com diabetes tipo 1, a porcentagem de afetados emocionalmente sobe para 77%.

O que é diabetes?

O diabetes é uma condição caracterizada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio vital para regular a glicose no sangue e fornecer energia ao organismo. A elevação dos níveis de glicemia pode levar a complicações graves no coração, artérias, olhos, rins e nervos, podendo, em cenários extremos, ser fatal.

Especificamente, o Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível e de caráter hereditário. Ela se manifesta pela destruição das células pancreáticas responsáveis pela produção e secreção de insulina, resultando em uma deficiência hormonal no organismo.

Conforme o Atlas Global do Diabetes 2025 da International Diabetes Federation (IDF), o Brasil ocupa a sexta posição mundial em casos de diabetes, com um total de 16,6 milhões de adultos diagnosticados com a doença.

Principais resultados do estudo

A pesquisa destaca que, para 56% dos entrevistados brasileiros, o diabetes limita a capacidade de passar o dia fora de casa. Outros 46% relatam dificuldades em situações cotidianas, como enfrentar o trânsito ou participar de reuniões prolongadas.

Adicionalmente, 55% dos pacientes mencionam não acordar plenamente descansados, atribuindo isso aos efeitos das variações glicêmicas durante a noite.

A maioria dos pacientes não se sente plenamente atendida pelo modelo atual de cuidado, apesar dos avanços. Apenas 35% se consideram muito confiantes na gestão de sua própria condição, o que indica desafios significativos no controle e na previsibilidade da doença.

Cerca de 44% dos consultados defendem a priorização de **tecnologias** mais inteligentes, capazes de prever mudanças nos níveis de glicose, como medida preventiva de complicações.

Entre os pacientes que utilizam medidores tradicionais, como glicosímetros ou testes de ponta de dedo, 46% acreditam que os sensores de **monitoramento** contínuo de glicose (CGM) deveriam ser amplamente adotados devido à sua capacidade de funcionar como alertas preditivos.

A importância da previsibilidade

A capacidade de prever níveis futuros de glicose é a funcionalidade mais desejada em sensores com inteligência artificial (IA), apontada por 53% dos entrevistados. Esse percentual sobe para 68% entre os pacientes com diabetes tipo 1.

Para 56% dos brasileiros, ter acesso às tendências antecipadas dos níveis de glicose proporcionaria uma maior sensação de controle sobre a doença. Além disso, 48% afirmaram que a redução de picos e quedas inesperadas de glicose aumentaria significativamente sua qualidade de vida.

Notavelmente, 95% dos pacientes com diabetes tipo 1 consideram **fundamentais ferramentas capazes de prever hipoglicemia e hiperglicemia**, o que simplificaria consideravelmente o manejo de sua condição.

O papel do monitoramento contínuo

André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), enfatiza a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico contínuo para evitar complicações. Para ele, o uso de **tecnologias** pode ser um diferencial, especialmente para pacientes com diabetes tipo 1, cuja glicemia apresenta grandes oscilações.

“O ideal para esses pacientes é ter um **monitoramento** contínuo da glicose por meio de sensores que já estão amplamente disponíveis em grande parte do mundo. Esse sensor permite à pessoa entender precocemente o que vai acontecer nas próximas horas antes desse diagnóstico acontecer. A pessoa vai saber se a glicose dela daqui a meia hora vai estar alta ou baixa e pode tomar uma atitude preventiva”, explicou o endocrinologista.

Vianna ressaltou que uma das vantagens desses sensores é a redução de complicações para os pacientes e a diminuição de gastos para o sistema público de saúde. “Essas pessoas vão acabar indo menos para o hospital, vão se internar menos, vão menos para o pronto-socorro. Isso, inclusive, além de melhorar a saúde, diminui o custo do tratamento. Por isso, o monitor contínuo já é algo bastante estabelecido no mundo”, afirmou.

Mercado e acesso no Brasil

No Brasil, os aparelhos de **monitoramento** contínuo são mais difundidos entre pessoas de maior poder aquisitivo. Contudo, no sistema público de saúde, sua disponibilização em larga escala ainda não ocorreu.

Atualmente, quatro empresas comercializam esses dispositivos no país. Em nações desenvolvidas, eles são amplamente acessíveis aos pacientes com diabetes, seja por meio de operadoras de saúde privadas, como nos Estados Unidos, ou gratuitamente por sistemas de saúde públicos, como na França e no Reino Unido.

Para o vice-presidente da SBD, a adoção de sensores e **tecnologias** como a inteligência artificial (IA) tem o potencial de elevar a qualidade de vida dos indivíduos. “Vem diminuir essa carga do diabetes, esse estresse diário e constante das pessoas que convivem com diabetes e com a incerteza do que vai acontecer com a sua glicose daqui a algum tempo, atrapalhando muitas vezes as funções diárias do indivíduo - o sono, o trabalho, atrapalhando, por vezes, momentos de descontração”.

Vianna esclareceu que o sensor é benéfico tanto para o diabetes tipo 1 quanto para o tipo 2. “Os benefícios no diabetes tipo 1 são vistos mais de imediato, no curto prazo, às vezes no mesmo dia. E no diabetes tipo 2, são vistos a longo prazo, com menos internações e menos complicações”.

Posicionamento do SUS

Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde tornou pública a decisão de não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o **monitoramento** contínuo da glicose por escaneamento intermitente para pacientes com diabetes mellitus tipos 1 e 2.

Essa decisão foi oficializada pela Portaria número 2, emitida pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico Industrial da Saúde, vinculada ao ministério.

Em dezembro do ano anterior, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 323/25, que propõe tornar obrigatório o fornecimento gratuito de dispositivos para **monitorar** a glicose de pacientes com diabetes mellitus por meio de escaneamento intermitente pelo SUS.

A proposta ainda aguarda análise conclusiva pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que o texto se torne lei, ele precisa ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

Procurado para comentar o assunto pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde não se manifestou.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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