Meu pai conta que, em 1978, o Peru entregou o jogo para a dona da casa Argentina, perdendo por 6 x 0 e eliminando o Brasil daquela Copa do Mundo. Os hermanos viriam a ser campeões da competição pela primeira vez e nós os “campeões morais”, eliminados invictos.
Já eu recebi (e passei adiante) um e-mail que circulou no início dos anos 2000, que contava que o jogador Edmundo teria dito que as pessoas ficariam enojadas se soubessem o que tinha realmente acontecido na fatídica final da Copa de 1998, quando perdemos para a anfitriã França por 3 x 0. Dizia a lenda que “vendemos” aquela final para sediar a de 2014 (ah, se soubéssemos!).
Cada geração com a teoria da conspiração que merece.
Há poucos dias, meus filhos viram Bruno Guimarães tirar a bola das mãos de Vini Jr. para, em seguida, perder o pênalti contra a Noruega, o que teria nos custado a classificação para próxima fase da Copa de 2026. Dizem que Vini, garoto propaganda da Bet Nacional, não fez a cobrança porque, acaso convertesse, teria gerado um prejuízo milionário para aquela plataforma de apostas esportivas, que prometia pagaria uma bolada se o jogador fizesse um gol durante o tempo regulamentar.
Verdade ou mentira, é no mínimo desconfortável a própria organizadora da competição ter como “parceira oficial global” uma casa de apostas, a Betano.
Lenda urbana ou não, a verdade é que a FIFA é uma entidade privada, autônoma e independente, e que a Copa do Mundo é um evento privado que movimenta bilhões de dólares, que equilibra e administra os interesses de seus seus patrocinadores e apoiadores (o que dizer na manifestada intervenção de Trump para anular o cartão vermelho recebido por Balogun?).
Ou, em "nome do espetáculo”, não era interessante a presença de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar? Isso teria influenciado suas convocações?
Da mesma forma, não se iluda: a CBF também é uma entidade privada (e não venham me dizer que sem fins lucrativos), com nada menos que doze (sim, doze) patrocinadoras oficiais, cujos interesses devem ser naturalmente acomodados. Afinal, “quem paga a conta escolhe o prato”.
Mas, convenhamos, há muito a “seleção brasileira” não nos representa. Não passa de um aglomerado de jogadores nascidos aqui e que tem pouca, ou nenhuma, identidade com os torcedores brasileiros, já que a grande parte deles foi jogar na Europa cedo demais.
Sequestrar do povo o que para gente tem grande valor tem seu preço: quantas crianças você viu chorando depois da eliminação da seleção brasileira para a Noruega?
Aliás, seleção brasileira não, o time da empresa CBF.
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