O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acionou a PGR nesta terça-feira (26) para avaliar a entrada de Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro como investigados em um inquérito que apura as atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A medida busca verificar se houve irregularidades no financiamento de uma cinebiografia do ex-presidente.
Moraes estabeleceu um intervalo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República apresente sua manifestação técnica. O foco central da apuração é a conduta do deputado Eduardo Bolsonaro, suspeito de coação e de tentar interferir em processos judiciais que investigam seu pai por tentativa de golpe de Estado.
A expansão do rol de investigados foi pleiteada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar levanta a hipótese de que verbas destinadas à produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro tenham sido desviadas para custear uma ofensiva internacional contra instituições brasileiras.
Segundo a representação, esses recursos teriam financiado campanhas por sanções econômicas, restrições de vistos e pressões indevidas sobre autoridades do Brasil. Lindbergh aponta possíveis crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e atentado à soberania nacional.
Relação com o Banco Master
A solicitação ganhou força após a divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro solicita apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Estima-se que o empresário tenha prometido R$ 134 milhões para a obra cinematográfica, com repasses efetivados de pelo menos R$ 61 milhões.
Flávio Bolsonaro, que anteriormente negava vínculos com Vorcaro, mudou sua versão após o vazamento das mensagens. O senador agora admite o contato, mas alega que as interações ocorreram em 2024, antes de o banqueiro se tornar alvo de operações judiciais por fraudes financeiras.
Desdobramentos e reuniões internacionais
Contudo, o parlamentar admitiu posteriormente ter se reunido com o dono do Banco Master mesmo após a primeira prisão do empresário, ocorrida em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero. Eduardo Bolsonaro é apontado como o gestor dos montantes recebidos.
Em meio ao avanço das investigações, Flávio e Eduardo Bolsonaro cumpriram agenda em Washington nesta terça-feira. Os irmãos, acompanhados pelo blogueiro Paulo Figueiredo, registraram um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em suas redes sociais.
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