O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, uma avaliação detalhada sobre os potenciais prejuízos que empresas e instituições financeiras brasileiras podem sofrer em decorrência da decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
A reunião entre o presidente e o ministro ocorreu nesta segunda-feira (1º) no Palácio da Alvorada.
Durigan destacou que a principal preocupação do governo brasileiro reside no impacto que protocolos externos podem exercer sobre a soberania econômica e a estabilidade das instituições nacionais.
O ministro alertou para o risco de que a ampla discricionariedade do governo americano, sob a administração de Donald Trump, possa gerar consequências negativas, descritas por ele como prejuízos "irreais ou fantasiosos", para a economia do Brasil.
"Vamos seguir combatendo as organizações criminosas, então nós insistimos nesse ponto e evitar que haja prejuízo irreal, fantasioso para nossa economia. Nós temos que evitar isso com todo custo. é uma grande injustiça", declarou Durigan.
Ele explicou que a estratégia central do Brasil é impedir que empresas e bancos nacionais se tornem alvos de sanções ou restrições, baseadas em critérios que não correspondam à realidade concreta das operações.
Diálogo com autoridades americanas
O ministro reiterou a disposição em dialogar com autoridades dos Estados Unidos a respeito da classificação de facções criminosas como terroristas. Contudo, Durigan informou que ainda não há reuniões agendadas com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.
"Eu estou sempre aberto [a reuniões com Bessent]. Tenho contato direto com as autoridades norte-americanas, mas, por enquanto, não. A gente está reunindo as informações, vendo o que vem pela frente, avaliando os próximos passos", afirmou.
Em declarações anteriores ao canal SBT News, Durigan mencionou a possibilidade de contatar Bessent diretamente.
O ministro ressaltou que o governo brasileiro está atualmente em fase de diagnóstico.
"Tendo as informações todas, tendo o diagnóstico claro e a posição, eu vou levar para o Scott Bessent, sem nenhuma dúvida", assegurou.
Proteção ao setor produtivo
Durigan enfatizou que o objetivo primordial do governo é monitorar as ações do governo Trump para salvaguardar empresários, empregos e instituições financeiras brasileiras contra interferências externas que possam prejudicar o desenvolvimento nacional.
"O que vier do exterior para colaborar no combate ao crime organizado, ótimo. A gente sempre acha bem-vindo. O que não pode é quando quer atrapalhar", disse o ministro, detalhando a postura oficial.
Para mitigar riscos, o Ministério da Fazenda tem mantido um diálogo contínuo com empresários de diversos setores, além do financeiro, buscando compreender vulnerabilidades e ouvir as preocupações do mercado produtivo.
Agenda internacional de investimentos
Durigan também abordou com o presidente Lula a agenda internacional de investimentos do Brasil.
No final deste mês, o ministro viajará para a China e o Japão com o intuito de apresentar o programa Eco Invest Brasil, voltado à captação de recursos internacionais para investimentos sustentáveis no país, e de buscar avanços na agenda econômica global.
Adicionalmente, o encontro serviu para discutir dados recentes do Produto Interno Bruto (PIB), com foco na formação bruta de capital fixo, um indicador chave do investimento nacional.
A economia brasileira registrou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre, impulsionada pelo aumento de 3,5% na formação bruta de capital fixo.
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