Aguarde, carregando...

TERÇA - FEIRA 26/05/2026
Notícias/Ocorrências

Julgamento do caso Henry no Rio de Janeiro se estende e se torna o mais longo da história do júri estadual

A sessão do 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, que apura a morte de Henry Borel, alcançou seu oitavo dia consecutivo nesta segunda-feira (1º), superando a duração do processo contra a ex-deputada Flordelis.

Julgamento do caso Henry no Rio de Janeiro se estende e se torna o mais longo da história do júri estadual
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O julgamento do caso Henry Borel, que apura a morte do menino de 4 anos em março de 2021, alcançou seu oitavo dia consecutivo nesta segunda-feira (1º) no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Este marco o consagra como o processo mais extenso já registrado na história do Tribunal do Júri do estado, superando a duração do julgamento da ex-deputada federal Flordelis.

Em um precedente notório, a ex-parlamentar Flordelis havia sido condenada a mais de 50 anos de prisão em novembro de 2022, pelo assassinato de seu ex-marido, o pastor Anderson do Carmo.

Os réus neste processo são Jairo Souza Santos Júnior, amplamente conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva. Eles enfrentam acusações pela morte de Henry Borel, filho de Monique, que tinha apenas 4 anos quando faleceu em março de 2021.

Leia Também:

Naquela ocasião, Jairinho exercia seu quinto mandato como vereador e era padrasto de Henry. A acusação do Ministério Público sustenta que a criança faleceu em decorrência de agressões perpetradas por Jairinho, enquanto Monique teria agido com omissão.

Acompanhe as últimas notícias da Agência Brasil no WhatsApp.

Depoimento do perito do IML

Até o início da tarde desta segunda-feira, o perito Leonardo Huber Tauil, convocado pela defesa de Jairo, estava prestando depoimento. Tauil foi o responsável por assinar o laudo cadavérico do menino no Instituto Médico Legal (IML) e é a 21ª pessoa a ser ouvida pelos jurados.

Em seu testemunho, ele reiterou que a causa da morte foi uma “hemorragia interna resultante de lesão hepática por ação contundente”.

Além de elaborar o laudo inicial, o perito participou de seis complementações e realizou uma visita ao apartamento onde, supostamente, o menino teria sofrido as agressões.

Tauil afirmou que, durante a vistoria no local, não identificou nenhum objeto ou móvel capaz de ter provocado a lesão fatal em Henry. A versão inicial apresentada pelo casal Jairinho e Monique era de que a criança havia tropeçado e caído da cama.

O perito também abordou questionamentos da defesa sobre o laudo cadavérico, como a incorreção do hospital de origem do corpo e a descrição dos olhos do menino como castanhos, em vez de azuis. Ele justificou essas divergências como lapsos.

No decorrer do depoimento, imagens do corpo de Henry foram exibidas, levando Monique Medeiros a se retirar do plenário. Ela já havia se ausentado na sexta-feira anterior (29), durante o testemunho do perito Luiz Carlos Leal Prestes, quando cenas semelhantes também foram mostradas.

Outros depoimentos e testemunhos cruciais

Desde a última segunda-feira (25), o júri tem ouvido diversas testemunhas, convocadas tanto pelo juízo quanto pela acusação e pelas defesas de Monique e Jairinho, cujas estratégias processuais se mostram divergentes neste momento.

Leniel Borel, pai de Henry, participa como assistente da acusação e prestou depoimento como testemunha contra o ex-casal. Ele manifestou a convicção de que Monique também possui responsabilidade na morte do filho.

Em depoimentos impactantes, duas ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas relataram ao júri que o ex-vereador havia agredido os filhos delas em épocas passadas, quando ainda eram crianças.

Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e engenheiro, apresentou uma descrição afetuosa da irmã e do ambiente familiar em seu testemunho.

Um dos testemunhos mais aguardados foi o de Thayná de Oliveira Ferreira, a babá de Henry. Ela confirmou ter alertado a mãe do menino sobre suas suspeitas de agressões por parte de Jairinho. Além disso, Thayná revelou que, após a morte da criança, Monique a instruiu a apagar as conversas trocadas entre elas.

Das 27 testemunhas inicialmente arroladas, quatro foram dispensadas. Jairinho optou por não ouvir o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e a assessora Cristiane Izidoro. Já seu pai, Coronel Jairo, uma figura política conhecida no Rio de Janeiro, foi ouvido.

Após Tauil, o próximo a ser ouvido será o médico Jeferson Evangelista Correa, que atua como assistente técnico da defesa.

Expectativa para os depoimentos dos réus

Entre os advogados envolvidos no julgamento, a expectativa é que a fase de depoimentos das testemunhas seja concluída ainda nesta segunda-feira, liberando a terça-feira (2) para os depoimentos dos dois réus.

A defesa de Jairinho obteve uma liminar que garante que o ex-vereador seja ouvido após Monique. Os advogados do ex-parlamentar argumentam que essa sequência é “indispensável para garantir a plenitude de defesa, permitindo que Jairo tenha conhecimento prévio das acusações que lhe serão dirigidas em juízo”.

Por sua vez, a defesa de Monique declara que ela está pronta para depor a qualquer instante. A fase das alegações finais, com a exposição das defesas, está prevista para quarta-feira (3), e a sentença é aguardada entre a noite de quarta e a madrugada de quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi no Rio de Janeiro.

Atuação do conselho de sentença

Desde o começo do júri, o Conselho de Sentença, composto por sete jurados — cinco homens e duas mulheres neste caso —, tem acompanhado as sessões de forma ininterrupta. Durante os intervalos, os membros são confinados no tribunal, proibidos de discutir o caso entre si ou com terceiros, e devem se manter afastados de redes sociais e qualquer tipo de noticiário.

No período noturno, os jurados permanecem sob vigilância em um alojamento específico dentro do Tribunal de Justiça do Rio. As testemunhas, embora não precisem ficar confinadas, foram orientadas pela juíza a não conceder entrevistas.

A magistrada Elizabeth Machado Louro preside o júri. O veredito sobre o destino dos réus é determinado pelo voto sigiloso dos jurados, por maioria simples. Em caso de condenação, a dosimetria da pena (definição do tempo de prisão) é responsabilidade da juíza.

Testemunhas já ouvidas no julgamento:

  • Delegado Edson Damasceno
  • Delegada Ana Carolina Medeiros
  • Psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro
  • Médica Maria Cristina de Souza
  • Kaylane de Oliveira, filha de ex-namorada do réu
  • Natasha de Oliveira, ex-namorada do réu
  • Débora de Oliveira, ex-namorada do réu
  • Leila Rosângela de Souza Mattos, empregada dos réus
  • Tereza Cristina dos Santos, cabeleireira
  • Paloma dos Santos, manicure
  • Perito Luiz Carlos Leal Prestes
  • Perito Luiz Airton Saavedra
  • Leniel Borel, pai de Henry
  • Bryan Medeiros, irmão de Monique
  • Ari Mamed, colega de trabalho de Monique
  • Márcia Eduarda Vieira, funcionária do condomínio dos réus
  • Thayná de Oliveira Ferreira, babá de Henry
  • Coronel Jairo, pai de Jairinho
  • Fernanda Abdul Figueiredo, atual companheira de Jairinho
  • Miriam Santos Rebelo Costa, ex-companheira de Leniel
FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Vale Europeu Notícias
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR