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TERÇA - FEIRA 26/05/2026
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Julgamento do caso Henry Borel prossegue com depoimentos de defesa de Jairinho e Monique

A sessão, que ouve testemunhas de defesa, chegou ao sétimo dia e deve se estender pela semana no Tribunal do Júri.

Julgamento do caso Henry Borel prossegue com depoimentos de defesa de Jairinho e Monique
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O julgamento da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entrou em seu sétimo dia neste domingo (31) no Tribunal do Júri. Os réus, o ex-vereador Jairo Souza Santos e a professora Monique Medeiros, padrasto e mãe da criança, respectivamente, são acusados do crime.

A fase de oitiva das testemunhas de defesa de Jairinho e Monique teve início no sábado (30) e prosseguiu neste domingo, com expectativa de se estender ao longo da semana.

Sob a presidência da juíza Elizabeth Machado Louro, o júri ouviu, no dia anterior, o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e considerado a principal testemunha de sua defesa. Por mais de oito horas, ele foi questionado pela magistrada, pelas defesas e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que representa a acusação.

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Bryan Medeiros descreveu a irmã, oito anos mais velha, de forma afetuosa, detalhando o convívio familiar.

Conforme Bryan, Monique sempre foi uma mãe dedicada, trabalhadora e presente na vida do ex-marido, Leniel Borel, pai de Henry, em todos os momentos. Ele também abordou o relacionamento de sua irmã com Jairo, mencionando que se conheceram pela internet e que o ex-vereador demonstrava gentileza.

A família, segundo ele, nunca suspeitou de que Jairo pudesse ser o responsável pelas agressões que, conforme a denúncia, resultaram na morte da criança. Monique, por sua vez, é acusada de tortura e de participação no homicídio.

O irmão de Monique ainda relatou que, após a divulgação dos laudos que associavam as lesões do menino a agressões, o padrasto de Henry tentou convencer Monique a falsear os fatos anteriores à morte do garoto.

Uma prima, de acordo com Bryan, alertou sobre a possível manipulação de Monique, o que levou a família a procurar uma defesa jurídica separada da de Jairo.

Durante o julgamento, Bryan reiterou que o filho era a prioridade máxima para a ré e que ela jamais permitiria qualquer tipo de agressão contra ele.

No sábado, a corte também ouviu um colega de trabalho de Monique em uma escola e uma funcionária da brinquedoteca do condomínio onde o crime ocorreu. Esta última testemunha afirmou que a ré frequentava o local com a criança e demonstrava ser atenciosa.

Na sexta-feira (29), os jurados já haviam concluído a oitiva das testemunhas de acusação. O último a depor foi Leniel Borel, pai de Henry, cujo testemunho se estendeu até as 4h15 da madrugada de sábado.

Para o advogado Cristiano Medeiros, assistente da acusação e ligado ao pai do menino, o depoimento de Bryan não modifica o arcabouço probatório do processo. Ele argumenta que Bryan "não presenciou os fatos e tudo o que afirma saber foi contado por Monique, após sua prisão, quando ela já tinha evidente interesse em construir uma versão defensiva", conforme nota enviada à imprensa neste domingo.

O assistente da acusação avalia que as declarações não possuem força probatória, lembrando que documentos no processo comprovam que Henry sofreu lesões enquanto estava sob os cuidados de sua mãe e padrasto.

A defesa de Jairo sustenta que a laceração hepática, que causou a hemorragia e a morte de Henry, segundo o laudo pericial, teria sido resultado das manobras de ressuscitação realizadas no hospital. No entanto, o médico-legista Luiz Carlos Leal Preste discordou dessa tese durante o julgamento.

Em seu depoimento, outro legista, Luiz Airton Saveedra de Paiva, detalhou a existência de três traumatismos em diferentes regiões da cabeça, que resultaram no descolamento do couro cabeludo da vítima.

Ele também apontou sinais de contusão nos pulmões, hemorragia retroaórtica no tórax e hemorragia peritoneal no abdômen, esta última sendo a causa do óbito.

Saveedra concluiu que Henry já estava sem vida ao chegar à unidade hospitalar.

O delegado Henrique Damasceno, responsável pelo caso, confirmou em seu depoimento que Jairo exerceu pressão para que a unidade de saúde atestasse a morte da criança sem a necessidade de encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia.

O histórico do caso Henry Borel

Segundo a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, o Dr. Jairinho teria espancado o menino Henry Borel até a morte. A mãe, Monique Medeiros, é acusada de omissão, contribuindo para o desfecho fatal.

O Ministério Público ainda aponta que, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo já havia submetido a criança a sofrimento físico e mental por meio de violência.

Jairinho é formalmente acusado de homicídio qualificado por meio cruel, que impossibilitou a defesa da vítima; três torturas praticadas contra criança; fraude processual; e coação no curso do processo, entre outros delitos.

Monique, por sua vez, enfrenta acusações por sete crimes, incluindo homicídio por omissão qualificado e omissão.

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

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