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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
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Juros elevados impulsionam endividamento e demandam mais Desenrola, alerta Boulos

Ministro da Secretaria Geral da Presidência enfatiza que educação financeira é insuficiente sem a redução das taxas e critica bancos e sites de apostas

Juros elevados impulsionam endividamento e demandam mais Desenrola, alerta Boulos
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, avaliou que as altas taxas de juros são o principal catalisador para o crescente endividamento das famílias brasileiras. Em entrevista recente, Boulos destacou que o cenário atual, marcado pela "drenagem de recursos dos trabalhadores" pelo sistema bancário, não pode ser mitigado apenas com iniciativas de educação financeira, exigindo, em contrapartida, a continuidade e a intensificação de programas como o Desenrola Brasil para auxiliar na renegociação de dívidas.

Durante sua participação no programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o ministro Boulos reiterou que, sem uma queda substancial nas taxas de juros aplicadas aos consumidores, o país se verá obrigado a lançar sucessivas edições de iniciativas como o Desenrola Brasil, cruciais para aliviar o peso das dívidas familiares.

Boulos foi enfático ao declarar que, embora a educação financeira seja sempre benéfica, ela se torna ineficaz diante de juros anuais de 15%. "Não adianta ter educação financeira com juros de 15% ao ano. Aí não tem educação financeira que resolva", pontuou.

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Ele defendeu uma redução mais célere dos juros, criticando a lentidão atual. "Se for assim, o juro vai ficar decente só daqui a 20 anos", afirmou, classificando a taxa de juros como "escandalosa" e desprovida de justificativa ou parâmetro internacional.

O ministro ainda ressaltou que nações com risco-país superior ao do Brasil praticam juros significativamente mais baixos. Para ele, essa política de juros elevados beneficia exclusivamente o setor bancário, que promove uma "drenagem de recursos" tanto dos trabalhadores quanto das empresas brasileiras.

Ainda em sua análise, Boulos comparou as taxas de inadimplência e de juros entre Brasil e Espanha para linhas de crédito similares. Enquanto a inadimplência média é de 4,2% no Brasil e 3,5% na Espanha, a taxa de juros para uma linha específica atinge 65% no Brasil, contra apenas 3% na Espanha. Tal disparidade, segundo ele, é injustificável.

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Limitações do Desenrola Brasil

Apesar das críticas estruturais, o ministro reconheceu o impacto positivo do Desenrola Brasil no alívio do endividamento. O programa tem proporcionado descontos médios de 65% nas dívidas e limites de juros mais acessíveis nas renegociações, com um bilhão de reais em acordos registrados em apenas uma semana.

Contudo, Boulos alertou que, apesar dos resultados expressivos, a iniciativa não aborda a raiz do problema de forma estrutural. Ele enfatizou que o programa foi criado pelo presidente Lula para "diminuir o estrangulamento das famílias", mas reiterou: "se os juros não baixarem, teremos de fazer mais edições do programa".

Bets, endividamento e lavagem de dinheiro

Ao concluir sua fala, o ministro fez uma conexão entre o crescimento das apostas online, conhecidas como 'bets', e o agravamento do endividamento familiar. Ele também apontou para fortes indícios de que essas plataformas estão sendo utilizadas para lavagem de dinheiro por parte de organizações criminosas.

Boulos descreveu o fenômeno das 'bets' como uma "epidemia". "Não adianta nada você proibir o cassino no Brasil, se o cassino está ali, no seu filho, no quarto dele, fechado", ilustrou, destacando a acessibilidade e o perigo dessas plataformas.

Ele reforçou que as 'bets' estão, de fato, sendo empregadas para fins ilícitos, citando operações da Polícia Federal que "mostram elas envolvidas com lavagem de dinheiro".

Por fim, o ministro criticou veementemente a carga tributária sobre os sites de apostas. Ele alegou que as 'bets' exerceram forte lobby no Congresso para garantir uma taxação de apenas 12% de imposto, enquanto profissionais como jornalistas contribuem com 27,5% de Imposto de Renda. "Isso é um escândalo", finalizou.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil
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