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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
Notícias/Economia

Governo federal institui subsídio de até R$ 0,89 para frear preços dos combustíveis

Medida provisória prevê a devolução de tributos federais, como PIS, Cofins e Cide, a refinarias e importadores para compensar a alta da Petrobras.

Governo federal institui subsídio de até R$ 0,89 para frear preços dos combustíveis
© Valter Campanato/Agência Brasil
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Nesta quarta-feira (13), o governo federal anunciou a implementação de um subsídio, uma subvenção da União, com o objetivo de conter a crescente alta dos preços dos combustíveis no Brasil, especificamente gasolina e diesel. A iniciativa busca mitigar o impacto financeiro sobre consumidores e empresas, respondendo à pressão do mercado internacional e a um possível reajuste da Petrobras.

Essa ação será formalizada através de uma medida provisória (MP), que será editada em breve pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A subvenção máxima estipulada pode atingir R$ 0,8925 por litro de gasolina e R$ 0,3515 por litro de diesel. Contudo, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, esclareceu que, inicialmente, a intenção é subsidiar entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro de gasolina.

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Para o diesel, o valor de R$ 0,3515 por litro entrará em vigor a partir de junho, coincidindo com o término da atual desoneração de tributos federais sobre o combustível.

Como o subsídio será aplicado

O mecanismo consiste na devolução de uma parcela dos tributos federais incidentes sobre os combustíveis – especificamente o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) – diretamente às refinarias e aos importadores.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) será a responsável por efetuar esses pagamentos diretamente às empresas produtoras e importadoras de combustíveis.

O principal objetivo é evitar que a volatilidade e a alta nos preços internacionais do petróleo sejam integralmente transferidas para os postos de revenda e, por extensão, para o consumidor final.

O ministro Bruno Moretti descreveu a medida como um sistema de “cashback” tributário.

"Ao efetuar o pagamento do tributo, a empresa receberá de volta esse montante na forma de subvenção", explicou Moretti. "Essa devolução funciona como um 'cashback', projetado para amortecer possíveis choques nos preços dos combustíveis."

Pressão da alta internacional do petróleo

O governo federal aponta a escalada da cotação internacional do petróleo como a principal causa da pressão sobre os preços, um cenário intensificado pelo conflito no Oriente Médio.

Anteriormente ao conflito, o barril de petróleo tipo Brent era negociado a valores inferiores a US$ 70, mas atualmente sua cotação no mercado internacional já ultrapassa os US$ 100.

A preocupação se intensificou após a Petrobras sinalizar um iminente reajuste no preço da gasolina nos próximos dias.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou que o aumento “vai acontecer já já”.

Impacto fiscal e neutralidade

Conforme dados do Ministério da Fazenda, cada R$ 0,10 de subsídio aplicado à gasolina representará um custo mensal estimado de R$ 272 milhões para os cofres públicos.

Para o diesel, o dispêndio mensal previsto é de cerca de R$ 492 milhões a cada R$ 0,10 de subvenção concedida.

Moretti detalhou que, com o subsídio de R$ 0,40 para a gasolina, o custo mensal para o governo federal será de R$ 1,2 bilhão. A nova subvenção para o diesel, por sua vez, implicará um gasto de R$ 1,7 bilhão mensais. A continuidade da medida será reavaliada após um período de dois meses.

Apesar dos custos, o governo garante que a medida manterá a neutralidade fiscal, evitando impactos negativos sobre as finanças federais.

O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, explicou que o aumento das receitas provenientes de royalties, dividendos e participações do setor petrolífero será suficiente para compensar os gastos.

"Embora uma neutralização de 100% seja inviável, é possível agir rapidamente para mitigar os efeitos do conflito para a população", afirmou Ceron.

Foco inicial na gasolina

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esclareceu que a nova subvenção terá início pela gasolina, justificando que este combustível não havia sido beneficiado por compensações tributárias desde o começo da crise internacional.

Em relação ao diesel, o governo já havia implementado ações prévias, incluindo a suspensão de tributos federais e outros mecanismos de compensação.

Duração e fiscalização do subsídio

O subsídio terá uma vigência inicial de dois meses, com a possibilidade de prorrogação caso a instabilidade e a pressão nos preços internacionais persistam.

As empresas beneficiadas deverão aderir a um conjunto de regras rigorosas, garantindo que a redução de custos seja efetivamente repassada aos consumidores finais.

Além disso, o valor do desconto deverá ser claramente indicado nas notas fiscais.

Ações prévias do governo para conter custos

Desde março, o governo tem implementado uma série de iniciativas destinadas a mitigar os efeitos da elevação dos preços do petróleo.

  • Isenção de PIS/Cofins sobre diesel e biodiesel;
  • Concessão de subsídios para diesel nacional e importado;
  • Criação de auxílio para o gás de cozinha;
  • Isenção de tributos sobre querosene de aviação;
  • Liberação de linhas de crédito para companhias aéreas;
  • Intensificação da fiscalização contra preços abusivos nos postos.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP), em colaboração com Procons e diversas entidades de segurança, reforçou as ações de fiscalização em distribuidoras e postos de combustíveis em território nacional.

Proposta legislativa no Congresso

Em uma iniciativa paralela, o governo encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe a utilização de receitas adicionais provenientes do setor petrolífero para a redução de tributos sobre combustíveis.

Essa proposta visa possibilitar a diminuição de impostos sobre gasolina, diesel, etanol e biodiesel em cenários de elevação dos preços internacionais do petróleo.

Enquanto a tramitação do projeto no Congresso prossegue, o governo optou por implementar a medida provisória como uma solução imediata para prevenir um aumento abrupto nos preços praticados nas bombas.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
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