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Defesa alega manipulação em julgamento sobre a morte de Gritzbach e o PCC

Antes de ser executado, o empresário havia firmado um acordo de delação premiada denunciando esquemas de corrupção policial e o crime organizado.

Defesa alega manipulação em julgamento sobre a morte de Gritzbach e o PCC
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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O **julgamento** dos três policiais militares acusados de assassinar o empresário e delator do **PCC**, Vinicius **Gritzbach**, teve início nesta segunda-feira (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, sob um rigoroso esquema de segurança. Os réus são apontados como executores do crime ocorrido em novembro de 2024, motivado por vingança e pelas revelações feitas pelo empresário em seu acordo de colaboração com a Justiça.

A sessão começou com a escolha dos sete cidadãos que formarão o conselho de sentença no júri popular. A expectativa é que os trabalhos se estendam por aproximadamente cinco dias, mobilizando diversas autoridades locais e alterando a rotina do judiciário na região.

Para garantir a ordem, o entorno do fórum foi isolado e as demais audiências agendadas para o período foram suspensas. O magistrado Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, conhecido por presidir o caso do Massacre do Carandiru, está à frente dos trabalhos jurídicos.

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Réus e acusações

No banco dos réus estão o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues. Todos permanecem sob custódia do Estado no Presídio Militar Romão Gomes enquanto aguardam o veredito final.

Além do homicídio de Gritzbach, o trio responde pela morte do motorista de aplicativo Celso Novais, atingido por engano durante o ataque no Aeroporto de Guarulhos, e por ferimentos causados a outros dois transeuntes que passavam pelo local.

O crime, que chocou o país pela ousadia, foi executado no Terminal 2 do aeroporto internacional. Gritzbach era uma peça-chave em investigações sobre lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo agentes públicos e o crime organizado.

Apelo por justiça

Aparecida Camilo, mãe de Celso Novais, expressou sua dor e esperança na condenação dos culpados na chegada ao fórum. Ela descreveu o filho como um trabalhador dedicado e pai de família que teve a vida interrompida precocemente.

"Meu filho estava apenas trabalhando. Ele era um homem maravilhoso e foi vítima de uma violência injustificável", desabafou a babá de 65 anos, que clama por uma resposta rigorosa das autoridades competentes.

Argumentos da defesa

Os advogados de defesa sustentam que os policiais são inocentes e vítimas de uma trama elaborada pela Polícia Civil. Segundo a tese defensiva, os réus sequer estavam em Guarulhos no momento da execução do empresário.

O advogado Cláudio Dalledone afirmou que o júri servirá para desmascarar o que chamou de "opinião publicada". Ele sugere que setores corruptos da Polícia Civil, anteriormente investigados pelo Gaeco, teriam interesse direto na morte do delator.

Mauro Ribeiro, que representa o tenente Genauro, reforçou que apresentará provas documentais de que os acusados não possuem vínculos com os mandantes do crime ou com os policiais civis delatados por Gritzbach em seu acordo.

Já o defensor Renan Canto comparou o caso ao assassinato de Marielle Franco, alegando que houve uma manipulação de provas para proteger os verdadeiros executores e incriminar policiais militares sem antecedentes criminais anteriores.

Dinâmica do júri popular

O júri popular é o rito constitucional destinado a crimes dolosos contra a vida. Após a oitiva de 21 testemunhas arroladas por acusação e defesa, os réus serão interrogados antes da fase final de debates entre promotores e advogados.

O Ministério Público, representado pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes, sustenta a tese de que os PMs atuaram como braço armado no atentado, utilizando armamento pesado de uso restrito.

Histórico da investigação

O inquérito concluído pela Polícia Civil indiciou seis indivíduos pelo crime. Entre eles, lideranças do PCC conhecidas como "Cigarreira" e "Didi" são apontadas como os mandantes intelectuais da execução, motivada por retaliação interna na facção.

Enquanto os líderes da organização permanecem foragidos e enfrentam processos separados, os três policiais enfrentam o julgamento atual. A acusação detalha que fuzis foram utilizados no ataque e que houve suporte logístico coordenado para a fuga.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patrícia Cruz - Repórter da Agência Brasil

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