A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou recentemente um projeto de lei fundamental que estabelece diretrizes para fortalecer a inclusão escolar em todo o país. Esta iniciativa, batizada de Política Incluir, visa garantir a permanência, participação e aprendizagem de pessoas com deficiência, estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) e aqueles com altas habilidades ou superdotação nas redes públicas de educação básica.
O principal objetivo da Política Incluir é oferecer suporte robusto às ações que promovam a integração plena desses estudantes, desde o acesso até o sucesso educacional, nas escolas públicas brasileiras.
Além disso, a proposta busca aprimorar significativamente o atendimento educacional especializado (AEE) e expandir a disponibilidade de recursos de acessibilidade e tecnologia assistiva, ferramentas essenciais para a autonomia e o aprendizado.
A execução da política será pautada pela colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. A adesão das esferas governamentais locais será facultativa, mas poderá contar com o indispensável apoio técnico e financeiro do governo federal.
A versão aprovada é a do relator, deputado Geraldo Resende (União-MS), referente ao Projeto de Lei 1652/25, originalmente apresentado pela deputada Carla Dickson (PL-RN).
Principais alterações no texto
Houve modificações significativas em relação ao texto original. Inicialmente, o projeto focava exclusivamente em crianças e adolescentes com deficiência e transtorno do espectro autista (TEA).
A nova redação ampliou o escopo, incluindo também estudantes com altas habilidades ou superdotação, reconhecendo suas necessidades específicas no ambiente educacional.
Outra alteração foi a nomenclatura: o que antes era chamado de "Programa Incluir" agora é "Política Incluir". Conforme explicou o relator, essa mudança visa transformar comandos operacionais em diretrizes mais abrangentes de política pública.
O deputado Geraldo Resende enfatizou que a proposta aborda uma lacuna real nas redes de ensino do Brasil, onde a infraestrutura e os recursos muitas vezes são insuficientes para assegurar o direito fundamental à educação inclusiva.
Resende ressaltou que a concretização desse direito depende do fortalecimento das capacidades institucionais das escolas, da formação continuada de educadores, da disponibilidade de acessibilidade e tecnologia assistiva, da qualificação do AEE e de uma maior articulação entre as diversas políticas públicas.
Próximos passos da tramitação
Após ser aprovado também pela Comissão de Educação, o projeto seguirá para análise de outras instâncias. Ele será examinado pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo.
Para que a Política Incluir se torne lei, ainda é necessária a aprovação tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
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