O vereador Carlos Eduardo Cunha, conhecido como Dudu Cunha (MDB), se manifestou pela primeira vez na Câmara de Indaial após ser alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pelo GAECO em sua residência, no âmbito da Operação Pão e Circo. Segundo o parlamentar, durante a ação foram recolhidos um celular e documentos, e todos os materiais solicitados pelas autoridades foram entregues espontaneamente.
Em seu discurso, Dudu afirmou estar tranquilo em relação às investigações, negou qualquer irregularidade e disse que pretende colaborar com a apuração. O vereador também declarou que não possui condenação ou processo relacionado ao caso e afirmou que deixará o cargo caso venha a ser condenado pela Justiça.
A Operação Pão e Circo foi deflagrada pelo GAECO do Ministério Público de Santa Catarina, com apoio da Polícia Civil, para apurar um suposto esquema de cartel, fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a contratação de shows em municípios catarinenses. De acordo com o MPSC, a operação cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios, sendo 18 em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul. Também houve um mandado de prisão preventiva contra um empresário e bloqueio de cerca de R$ 9 milhões em bens e valores.
Durante a fala na Câmara, Dudu Cunha criticou o que classificou como exploração política da investigação. O parlamentar também fez críticas ao jornal A Razão e defendeu que o trabalho dos órgãos de investigação deve servir para esclarecer os fatos, e não para antecipar condenações públicas.
O caso ganhou repercussão porque a operação mira um setor que movimenta altos valores nos municípios: a contratação de eventos e shows artísticos. Conforme o Ministério Público, a suspeita é de que empresários do ramo de eventos teriam atuado para eliminar concorrência, manipular preços e dominar contratações públicas de apresentações musicais. A investigação também apura eventual participação de agentes públicos no esquema.
Apesar da gravidade das suspeitas, é importante destacar que a investigação ainda está em andamento e tramita sob sigilo. Até eventual decisão judicial, todos os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
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