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A Polícia Federal apontou que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, recebeu propinas luxuosas para beneficiar a refinaria Refit. Os detalhes constam no relatório da Operação Sem Refino, que teve o sigilo derrubado na última quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelando um suposto esquema de favorecimento político em troca de vantagens pessoais.
De acordo com as investigações, as vantagens indevidas usufruídas pelo político fluminense incluem o consumo de R$ 10,5 mil em caviar e o uso de uma mansão em Petrópolis. Nesse imóvel na Região Serrana, teria sido instalada uma adega sob medida avaliada em R$ 245 mil. Além disso, a corporação aponta o pagamento disfarçado do aluguel de sua residência na Barra da Tijuca.
As buscas e apreensões autorizadas por Moraes visam aprofundar a apuração sobre fraudes na concessão de licenças ambientais. A PF sustenta que as autorizações para a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, foram emitidas ignorando os pareceres dos órgãos técnicos. O esquema também envolveria lavagem de dinheiro com a ocultação de bens por meio de "laranjas".
Favorecimento e lavagem de capitais
Os investigadores afirmam que Castro intercedia diretamente junto a órgãos ambientais para acelerar projetos de interesse do empresário Ricardo Magro, apontado como líder do grupo criminoso. Magro teve a prisão preventiva decretada, mas está foragido e foi incluído na lista da Interpol. Em contrapartida, despesas pessoais do ex-governador seriam quitadas por empresas parceiras.
O relatório descreve que a degustação de caviar em um hotel de luxo paulista foi paga pela empresa de Antonio Carlos da Conceição Santos, apontado como operador financeiro do esquema. Já a mansão em Petrópolis pertenceria formalmente à Concrecasa, mas Castro agia como proprietário de fato, inclusive gerenciando funcionários. A PF suspeita que o imóvel era uma compensação por contratos públicos milionários.
Posicionamento da defesa
Em nota oficial, a defesa de Cláudio Castro rechaçou veementemente todas as acusações de lavagem de dinheiro ou recebimento de vantagens. Os advogados argumentam que os imóveis em Petrópolis e na Barra da Tijuca possuíam contratos de locação regulares e devidamente quitados. Eles ressaltam ainda que o episódio do caviar ocorreu quando Castro já não ocupava cargo público.
A nota conclui assegurando que os contatos com a Refit foram estritamente institucionais e que o Estado, inclusive, cobrou dívidas da refinaria. A defesa solicitou ao STF que o ex-governador preste depoimento formal à Polícia Federal para comprovar sua inocência e esclarecer os fatos narrados no inquérito.
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