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O Rio Grande do Sul registrou uma queda drástica de 65% no número de produtores de leite ao longo da última década, conforme um levantamento divulgado pela Emater/RS. O total de famílias na atividade despencou de 84 mil para 28 mil, acendendo um alerta severo sobre a vulnerabilidade das pequenas propriedades e os obstáculos para a sucessão familiar no campo.
Diante desse cenário desafiador, quem decide permanecer na atividade precisa buscar maior eficiência e diferenciais competitivos. Durante eventos como a Expointer, animais de alta genética ganham destaque por demonstrarem superioridade nos resultados produtivos.
O produtor Anderson Sipp é um exemplo dessa busca por inovação ao investir em holandesas vermelhas. Os animais apresentam maior rusticidade e resistência ao estresse térmico, o que favorece o desempenho geral no rebanho.
“A gente tenta escolher o que acha de melhor, para fazer um comparativo e ver se está no caminho certo do melhoramento”, relata Sipp sobre a importância de participar de exposições e feiras do setor.
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Menos produtores, mesma produção
A atividade leiteira tem enfrentado barreiras históricas no estado gaúcho. Intempéries climáticas, oscilações nos preços pagos pelo litro do produto e a falta de jovens interessados em dar continuidade ao negócio dificultam a expansão.
Apesar da forte redução no quantitativo de trabalhadores, o volume total gerado no estado se mantém estável na faixa de 4 bilhões de litros anuais. Esse paradoxo evidencia um ganho expressivo de produtividade por parte daqueles que continuam firmes na atividade.
Quem está deixando a atividade?
A Emater/RS traçou um perfil detalhado dos agricultores que abandonaram a produção de leite. Do total de 55 mil saídas registradas na década, um grupo de 571 famílias foi entrevistado para entender as motivações da desistência.
A maior parte dos produtores que encerraram as atividades tinha entre 20 e 40 anos de vivência no setor. Entre os consultados, cerca de 40% decidiram extinguir totalmente a operação leiteira.
O impacto também atingiu drasticamente a mão de obra local. Cerca de 93% dos envolvidos vinham do próprio núcleo familiar, com uma média de 2,6 pessoas dedicadas à rotina da propriedade.
O levantamento aponta ainda que 34% dos ex-produtores tinham mais de 51 anos de idade. Outro dado relevante revela que 37% operavam em áreas reduzidas, de até 10 hectares, mantendo plantéis de 11 a 15 vacas com média modesta de 18 litros diários por animal.
Fica evidente que os menores produtores sofreram impactos mais profundos durante as crises recentes, perdendo margem de manobra frente aos custos operacionais.
Segundo o assistente técnico regional da Emater/RS, Jaime Ries, caso nenhuma medida estrutural seja tomada rapidamente, o estado poderá contar com menos de 3 mil produtores daqui a 25 anos.
O alerta gera apreensão pelo reflexo direto que a pecuária de leite exerce na arrecadação e na sustentabilidade econômica de pequenos municípios focados na agricultura familiar.
Campanha tenta valorizar produtor
Como estratégia de conscientização, entidades do setor lançaram a campanha “O Lado Bom de Ser Produtor de Leite”. A iniciativa busca evidenciar o peso socioeconômico da atividade para a sociedade.
Para os organizadores, é fundamental desmistificar a imagem do campo e demonstrar que a cadeia produtiva atual está cada vez mais organizada, profissionalizada e tecnificada.
Apesar dos obstáculos financeiros, quem permanece no campo aponta que a resiliência está ligada a um forte vínculo emocional com a terra e com os animais.
“Tem que ser apaixonado mesmo, porque, em termos de lucratividade, de repente tu ir para uma outra área, tu sofreria menos e ganharia mais. Mas o leite, as vacas, é o que corre no sangue da gente. Então é a paixão”, conclui o produtor Anderson Sipp.
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