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Notícias/Saúde

Vacina contra VSR em idosos demonstra alta eficácia na redução de internações

Estudo global revela que o imunizante Arexvy diminui significativamente hospitalizações e complicações graves em pessoas acima de 60 anos.

Vacina contra VSR em idosos demonstra alta eficácia na redução de internações
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Um abrangente estudo, que analisou dados de mais de 2,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos entre agosto de 2023 e maio de 2024, revelou que a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em idosos esteve associada a uma notável redução de 75,6% nas hospitalizações pela doença. O imunizante Arexvy, produzido pela farmacêutica GSK, demonstrou ainda uma diminuição de 63,1% nos problemas cardiovasculares graves entre os pacientes vacinados que necessitaram de internação.

A pesquisa também apontou que os indivíduos vacinados que, mesmo assim, necessitaram de internação após a infecção por VSR, registraram uma redução significativa de 63,1% em eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, observou-se um menor risco de agravamento de comorbidades pré-existentes, incluindo asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, diabetes e doença renal.

Para chegar a essas conclusões, o estudo comparou os dados de saúde de aproximadamente 520 mil pessoas que receberam o imunizante Arexvy com os de 2 milhões de indivíduos não vacinados, todos residentes nos Estados Unidos. A análise foi realizada entre agosto de 2023 e maio de 2024, após rigorosas ponderações estatísticas para garantir a validade dos resultados.

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Ao longo dos nove meses de acompanhamento, o grupo vacinado não apenas apresentou menos internações gerais devido à doença, mas também uma impressionante redução de 79,1% nas hospitalizações classificadas como graves e 66,8% menos óbitos relacionados ao VSR.

Os resultados promissores foram divulgados pela farmacêutica GSK, responsável pela produção da vacina Arexvy, durante a Conferência da Respiratory Syncytial Virus Foundation deste ano.

A GSK enfatiza que esses dados, obtidos em "mundo real", corroboram a eficácia do imunizante, que já havia sido comprovada em ensaios clínicos anteriores.

A ameaça do VSR em idosos

Embora o VSR seja mais frequentemente associado à bronquiolite em bebês, ele representa uma ameaça séria para a população idosa, podendo causar infecções graves, conforme explica o cardiologista José Carlos Zanon, membro do Departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Zanon detalha que, com o processo natural de envelhecimento, o sistema imunológico sofre a chamada imunosenescência, resultando em uma capacidade reduzida de resposta a infecções. Essa condição predispõe os idosos a desenvolverem quadros mais severos da doença, sendo que a taxa de mortalidade por VSR é, inclusive, superior neste grupo em comparação com as crianças.

A relevância do VSR entre os mais velhos é reforçada por dados da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No primeiro semestre deste ano, o vírus foi responsável por 38,1% dos casos e 11,5% das mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com diagnóstico viral confirmado. Os idosos configuram o segundo grupo etário mais impactado, ficando atrás apenas das crianças com até dois anos de idade.

A sazonalidade da doença tem impulsionado um aumento nos casos nesta época do ano. Somente em junho, as ocorrências graves atribuídas ao VSR superaram 50% do total de casos comprovadamente causados por vírus respiratórios.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que o aprimoramento dos métodos diagnósticos permitiu ao sistema de saúde brasileiro reconhecer a importância do VSR como um agente significativo de doença respiratória grave também na população idosa.

Kfouri acrescenta que "diversos estudos indicam que o VSR pode levar a um tempo de hospitalização superior ao causado pelo vírus influenza, além de um maior risco de morte, especialmente em indivíduos com condições crônicas cardiovasculares e pulmonares".

O Dr. José Carlos Zanon elucida que, para além do impacto nas vias respiratórias, o VSR desencadeia uma "cascata inflamatória" sistêmica. Essa resposta pode descompensar patologias preexistentes, como diabetes, e até mesmo precipitar eventos cardíacos e acidentes vasculares cerebrais.

Vacinação no Brasil e recomendações

Atualmente, no Brasil, a vacinação contra o VSR é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) exclusivamente para gestantes. O objetivo dessa medida é conferir proteção aos recém-nascidos, que são particularmente vulneráveis à infecção.

Contudo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou dois imunizantes específicos para uso em adultos, os quais se encontram acessíveis na rede privada de saúde.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) orienta que a vacina contra o VSR seja administrada em todos os idosos com mais de 70 anos. Para a faixa etária entre 60 e 70 anos, a recomendação se estende àqueles que apresentam fatores de risco para a doença.

Adicionalmente, o imunizante é fortemente recomendado para todos os adultos que se encontram em condição de imunocomprometimento.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

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