O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta quinta-feira (13), o prazo de 24 meses para que o Congresso Nacional edite uma lei sobre a mineração em terra indígena. A medida visa garantir a participação das comunidades nos frutos da exploração de seus territórios.
A decisão referendou o posicionamento do ministro Flávio Dino, que apontou a omissão do Poder Legislativo sobre o tema. O processo foi movido pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga (PATJAMAAJ), que atua no estado de Rondônia.
A entidade denunciou que o povo Cinta Larga enfrenta ameaças constantes de garimpeiros ilegais e conflitos violentos. Sem a regulamentação adequada, a população local sofre com a escassez de renda e a marginalização econômica.
Enquanto a lei federal não é votada, os ministros do STF definiram diretrizes temporárias para autorizar atividades minerárias na região:
- A anuência prévia dos indígenas é obrigatória;
- A exploração não pode ultrapassar 1% da Terra Indígena Cinta Larga;
- São exigidos planos de manejo sustentável e estudos de impacto ambiental;
- A fiscalização caberá ao Ministério Público Federal (MPF).
Precedente na usina de Belo Monte
Esta não é a primeira vez que o ministro Flávio Dino fixa prazos ao Legislativo. No ano passado, o magistrado determinou que os povos afetados pela usina de Belo Monte, no Pará, recebam integralmente os repasses compensatórios da concessionária.
Naquela ocasião, a decisão liminar também concedeu o período de dois anos para o Congresso criar uma norma específica sobre o compartilhamento desses lucros com as comunidades locais.
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