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A política catarinense voltou a ser movimentada por uma operação de combate à corrupção nesta terça-feira (27). Desta vez, o foco das investigações chegou ao município de Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis, onde o prefeito Gilmar Sani (PL), aliado político do governador Jorginho Mello (PL), foi preso durante uma ação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), conforme informações divulgadas pela imprensa regional.
Batizada de Operação Dominus Urbis, a investigação conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apura a possível existência de uma organização criminosa envolvida em irregularidades na administração pública.
Entre as suspeitas investigadas estão direcionamento de licitações, favorecimento indevido de empresas, corrupção, peculato, falsidade ideológica, prevaricação, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Segundo o Ministério Público, há indícios de que agentes públicos, empresários, familiares e outras pessoas teriam participado de uma estrutura destinada a beneficiar interesses particulares por meio de contratações públicas.
Operação alcançou seis municípios catarinenses
A ofensiva mobilizou equipes do Gaeco para o cumprimento de 51 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
As diligências ocorreram em Alfredo Wagner, Bocaina do Sul, Palhoça, Blumenau, Xaxim e Ilhota.
As prefeituras de Alfredo Wagner e Bocaina do Sul estiveram entre os órgãos públicos diretamente atingidos.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 2,7 milhões, pertencentes a pessoas físicas e jurídicas investigadas. O objetivo é preservar recursos para um eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Durante os trabalhos, foram registradas prisões em flagrante relacionadas à posse ilegal de armas de fogo. Também houve apreensão de dinheiro em espécie e uma autuação em flagrante por suspeita de lavagem de dinheiro.
Prefeito mantém ligação política com Jorginho Mello
O episódio ganha repercussão no cenário estadual pelo histórico político de Gilmar Sani.
O prefeito de Alfredo Wagner integra o Partido Liberal, mesma legenda do governador Jorginho Mello, e sua aproximação com o chefe do Executivo estadual não se limita à filiação partidária.
Em outubro de 2022, Sani participou de uma articulação de prefeitos da Grande Florianópolis que declararam apoio à candidatura de Jorginho Mello ao governo catarinense.
Em agosto de 2023, o prefeito, então filiado ao PSDB, ingressou no PL, movimento que contou com o aval do governador, segundo registros publicados à época.
A relação política continuou nos anos seguintes. Em 2025, Sani participou de encontros partidários ao lado de Jorginho Mello e destacou publicamente a importância do apoio estadual para obras e investimentos em Alfredo Wagner.
A proximidade política, entretanto, não significa participação do governador nas condutas investigadas. Até o momento, as informações oficiais consultadas não apontam Jorginho Mello como investigado na Operação Dominus Urbis.
O significado de Dominus Urbis
O nome escolhido para a operação significa, em latim, Senhor da Cidade.
Conforme o Ministério Público, a denominação faz referência a indícios de possível utilização da estrutura administrativa municipal para atender interesses privados.
Os investigadores também apuram a suspeita de que uma pessoa central no esquema exerceria influência sobre diferentes setores da administração pública e da atividade econômica local.
As conclusões, contudo, dependem do aprofundamento das investigações e da análise das provas recolhidas.
Prefeitura confirma operação e diz colaborar
Após as diligências, a Prefeitura de Alfredo Wagner divulgou uma nota informando que está colaborando com os trabalhos do Ministério Público e disponibilizando o acesso necessário às equipes responsáveis.
A administração municipal declarou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e, por isso, adotará cautela até que os fatos sejam esclarecidos.
O Executivo também afirmou que pretende divulgar novas informações quando houver dados oficiais consolidados.
Até a apuração desta matéria, não foi localizada manifestação individual da defesa de Gilmar Sani sobre a prisão.
Investigação coloca transparência da gestão pública em debate
A operação reacende uma discussão importante em Santa Catarina: a necessidade de fiscalização permanente da aplicação do dinheiro público, independentemente do partido ou da proximidade de um prefeito com o governo estadual.
O fato de um gestor integrar a base política do governador não o coloca acima dos órgãos de fiscalização. Da mesma forma, a existência de uma investigação não representa uma condenação antecipada.
As suspeitas deverão ser esclarecidas pelos órgãos competentes, com respeito ao direito de defesa e à presunção de inocência.
A população de Alfredo Wagner e de Santa Catarina espera respostas sobre os contratos investigados, os recursos públicos envolvidos e as eventuais responsabilidades identificadas.
Afinal, o compromisso com a transparência e a correta aplicação do dinheiro público deve estar acima de qualquer bandeira partidária.
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