A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (2) a quinta fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, visando aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e suas possíveis conexões com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo. A ação resultou em mandados de prisão para o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, e o empresário e pastor Márcio Poncio.
Essa etapa da operação mirou figuras proeminentes da política, religião e contravenção no estado fluminense, com o objetivo de desmantelar um esquema complexo que envolvia diversas esferas sociais.
Conforme comunicado da PF, o foco principal é aprofundar a apuração dos indícios de lavagem de dinheiro orquestrada pelo líder da nova cúpula do jogo do bicho, além de examinar as ramificações do esquema junto a membros dos Poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
As investigações seguem em curso, com a análise minuciosa do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro ilícito e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores envolvidos na rede criminosa.
Em resposta às acusações, a defesa de Adilsinho, por meio do advogado Ricardo Braga, rechaçou a alegação de pagamentos indevidos a políticos ou agentes públicos, manifestando confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal.
A Polícia Federal revelou que as apurações tiveram início após a apreensão de listas em posse do contraventor, que indicavam a existência de registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade paralela ligada à lavagem de capitais.
Essas listas, segundo a PF, chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos atuantes no estado do Rio de Janeiro, sinalizando um elo entre a contravenção e a esfera pública.
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Preso desde fevereiro
Adilsinho já se encontrava detido desde fevereiro, quando foi localizado em sua residência em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A prisão foi efetuada por agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (Ficco/RJ) e da Polícia Civil do estado (PCERJ), com o apoio do Ministério Público Federal (MPF). Naquela ocasião, ele estava foragido da Justiça Federal e era procurado pela Justiça estadual.
Além de ser apontado como membro da nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro e suposto mandante de homicídios, Adilsinho é considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado.
O contraventor teve outro pedido de prisão preventiva decretado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) pela morte do policial penal Bruno Kilier da Conceição Fernandes, ocorrida em junho de 2023, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio.
Juntamente com Adilsinho, foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) o ex-policial militar Rafael do Nascimento Dutra, conhecido como "Sem Alma", e Jefferson Rodrigues da Silva, apelidado de "Jefe".
O advogado Ricardo Braga informou à Agência Brasil que, no momento, não possui informações sobre o desdobramento judicial das múltiplas decretações de prisões contra seu cliente, aguardando acesso aos autos para se pronunciar.
Ex-presidente da Alerj
Rodrigo Bacellar, detido no Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, zona oeste da capital, foi levado na manhã desta quinta-feira para a Superintendência da Polícia Federal, localizada na região portuária do Rio.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa fluminense deve ser transferido para uma unidade do sistema penitenciário federal, conforme os procedimentos padrões para casos de alta complexidade.
A Agência Brasil tentou contato com a defesa de Bacellar, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
O terceiro mandado de prisão foi cumprido contra o pastor e empresário Márcio Poncio, que foi detido também na manhã desta quinta-feira em um flat na Praia da Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio. A Agência Brasil também não conseguiu contato com a defesa do pastor.
Busca e apreensão
A defesa do ex-deputado Marco Antônio Cabral, que foi alvo de um mandado de busca e apreensão, negou qualquer envolvimento com organizações criminosas. Em nota, a advogada Patrícia Proetti afirmou que seu cliente permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
"Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita", destacou a nota, reforçando a posição do ex-deputado.
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