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No Brasil, cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais sofreram tentativas de golpe envolvendo seus dados pessoais, segundo a terceira edição da pesquisa do Cetic.br divulgada nesta segunda-feira (31) em São Paulo. O levantamento inédito revelou que 32% dos internautas vivenciaram esse tipo de abordagem maliciosa, enquanto 20% das pessoas declararam ter sido vítimas efetivas dos criminosos.
A amostragem foi apresentada durante o 17° Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, organizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do NIC.br ligado ao CGI.br. A investigação envolveu 2,5 mil entrevistados em todo o país no final de 2025.
Canais de abordagem mais frequentes
Os dados mostram que os aplicativos de mensagem lideram o ranking de ferramentas utilizadas para as fraudes, sendo citados por 84% das vítimas de abordagens. Em seguida aparecem as chamadas telefônicas (79%), plataformas ou sites clonados (71%), SMS (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%).
Segundo o coordenador da pesquisa, Winston Oyadomari, os usuários que navegam exclusivamente pelo celular relatam uma proporção maior de fraudes por sites falsos do que aqueles que utilizam computadores. Essa limitação técnica do dispositivo móvel amplia a vulnerabilidade dos cidadãos.
Além das perdas financeiras diretas, o estudo ressalta o impacto emocional causado pelas abordagens fraudulentas. Outra preocupação relevante é a perda de controle sobre credenciais cruciais, como o acesso ao portal Gov.br, o que pode bloquear a utilização de serviços públicos essenciais pelo cidadão.
Escolaridade e segurança no ambiente digital
A pesquisa evidenciou que pessoas com menor grau de instrução sofrem consequências mais graves com os ataques. Apesar de a exposição aos riscos ser semelhante entre os diferentes níveis educacionais, os prejuízos e o impacto emocional tendem a ser significativamente maiores nos grupos de menor escolaridade.
Especialistas reforçam que a promoção de uma cultura de proteção de dados precisa estar acompanhada pelo desenvolvimento de competências digitais. Apenas dessa maneira será possível capacitar a população para identificar ameaças e utilizar o ambiente virtual de forma plenamente segura.
Privacidade na era da inteligência artificial
O estudo também investigou a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial generativa. Cerca de 73% dos entrevistados utilizam essas tecnologias para tarefas profissionais ou de estudo. Contudo, 54% compartilham sentimentos pessoais e 52% inserem dados de saúde nas plataformas.
Entre os usuários dessas soluções digitais, 66% demonstraram preocupação com o destino reservado às suas informações pessoais pelas corporações de tecnologia. O percentual atinge 72% entre os respondentes com maior escolaridade, sinalizando a busca por maior transparência quanto ao tratamento das informações fornecidas.
Adesão no setor privado e no poder público
No setor empresarial, 69% das companhias afirmaram armazenar dados cadastrais ou pessoais de usuários. A biometria é mantida por 31% das organizações, enquanto 26% registram dados de saúde. Entretanto, apenas 16% das empresas nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO).
Já no setor público, a presença de estruturas dedicadas à privacidade cresceu de 36% para 42%, impulsionada principalmente pelos municípios menores. O avanço também foi observado em instituições de ensino público, onde 54% já contam com políticas formais para garantir a segurança da informação dos alunos.
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