A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, nesta quinta-feira (30), a segunda fase da Operação Credenciamento, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da Secretaria Municipal de Saúde de Timbó. Empresários, proprietários e sócios de empresas que prestaram serviços ou forneceram materiais ao município estão entre os alvos.
As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em 16 endereços, localizados em Timbó, Indaial, Rodeio, Jaraguá do Sul, Araquari e Blumenau. Segundo a Polícia Civil, as medidas judiciais alcançaram 15 pessoas físicas e seis pessoas jurídicas.
A operação é conduzida pela 4ª Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (4ª Decor), vinculada à Coordenadoria Estadual de Combate à Corrupção (CECOR) e à Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Investigação apura três possíveis frentes do esquema
De acordo com a Polícia Civil, a investigação tem como personagem central um ex-servidor municipal que seria responsável pela gestão do almoxarifado e pelo acompanhamento de contratos relacionados às unidades de saúde.
A apuração aponta que as supostas irregularidades teriam ocorrido entre 2020 e 2024. Conforme a corporação, o ex-servidor teria atuado em três frentes:
- direcionamento de ordens de serviço para determinadas empresas credenciadas, supostamente em troca do pagamento mensal de propina;
- autorização de notas fiscais referentes a materiais ou serviços que não teriam sido entregues integralmente ao município, com posterior divisão dos valores entre os envolvidos;
- desvio de insumos médicos, produtos de higiene e outros materiais armazenados no almoxarifado da Saúde, que teriam sido revendidos a terceiros por preços inferiores aos praticados no mercado.
As acusações ainda estão sob investigação e deverão ser analisadas no decorrer do inquérito, respeitando-se o direito de defesa dos envolvidos.
Primeira etapa terminou com 12 pessoas indiciadas
A segunda fase representa um avanço nas apurações iniciadas anteriormente pela Polícia Civil. Na primeira etapa, 12 pessoas foram indiciadas por suspeita de envolvimento nos crimes de organização criminosa, peculato e corrupção.
O indiciamento é uma conclusão da autoridade policial dentro do inquérito e não representa condenação. Caberá ao Ministério Público analisar o material reunido e decidir sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
A Polícia Civil não divulgou, até o momento, uma estimativa consolidada do possível prejuízo causado aos cofres públicos de Timbó.
Celulares, documentos e comprovantes estão entre os alvos
Nesta etapa, os policiais buscam celulares, documentos, registros de negociações, comprovantes de transferências bancárias e outros elementos que possam esclarecer a participação de empresários e fornecedores nos fatos investigados.
O material apreendido será analisado pelos investigadores e, quando necessário, encaminhado para perícia da Polícia Científica de Santa Catarina.
Segundo a corporação, o cumprimento simultâneo dos mandados foi planejado para reduzir o risco de comunicação entre os investigados e evitar a possível destruição ou ocultação de provas.
Prefeitura afirma que investigação envolve período anterior
Em nota oficial, a Prefeitura de Timbó declarou que tomou conhecimento da segunda fase da operação e reforçou que os fatos apurados teriam ocorrido entre 2020 e 2024, não mantendo relação com a atual administração municipal.
O município afirmou que vem adotando medidas para fortalecer os mecanismos de controle, fiscalização e integridade na administração pública. Também declarou que continuará à disposição das autoridades, fornecendo informações e documentos solicitados durante a investigação.
A Prefeitura acrescentou que acompanha o caso e reiterou respeito ao trabalho das instituições, às investigações e ao devido processo legal.
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