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Domingo, 20 de Setembro 2026
OCORRÊNCIAS POLICIAIS

Falta de integração de dados compromete a prevenção de feminicídios no Brasil

Especialistas alertam que a falta de comunicação entre órgãos de segurança e Justiça impede ações rápidas para proteger vítimas de violência.

Falta de integração de dados compromete a prevenção de feminicídios no Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, especialistas alertaram que a falta de integração de dados entre órgãos estatais compromete diretamente a prevenção de feminicídios no Brasil, pois impede que sinais de violência doméstica sejam identificados a tempo de salvar vidas.

Para a promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a fragmentação institucional faz com que o Estado tenha apenas uma visão parcial da trajetória de abusos sofridos pelas vítimas. Sem a unificação de informações estratégicas, as oportunidades de intervir e proteger essas mulheres são perdidas.

O delegado Julio Guebert, da Polícia Civil de São Paulo, reforça a necessidade de uma atuação em rede. Ele defende que delegacias, Defensoria Pública, Ministério Público, saúde e educação compartilhem o mesmo fluxo de atendimento para centralizar o acolhimento de forma eficaz.

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Omissão estatal e subnotificação

A escassez de recursos e serviços especializados agrava o cenário. Dados do Fórum mostram que 72,9% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não possuem atendimento especializado para mulheres, deixando as moradoras dessas regiões sem suporte imediato.

A delegada Cristine Costa, da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), destaca a importância de ferramentas como o boletim de ocorrência eletrônico. Ela também defende o acolhimento humanizado e sem julgamentos desde o primeiro sinal de ameaça ou de injúria.

Escalada de violência e misoginia

A promotora Silvia Chakian também chama a atenção para o aumento da brutalidade nos crimes, impulsionado por discursos misóginos disseminados na internet. Esse caldo cultural de ódio atrai jovens e reflete as profundas desigualdades de gênero ainda persistentes no país.

Outro gargalo crítico é a subnotificação e a fiscalização ineficaz de medidas protetivas. Segundo a promotora Juliana Tocunduva, embora o país tenha concedido mais de 621 mil medidas em 2025, foram registrados 135 mil descumprimentos, evidenciando as falhas no monitoramento.

FONTE/CRÉDITOS: Camila Boehm - repórter da Agência Brasil

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