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O preço da arroba do boi registrou uma valorização de quase 5% em meados de setembro no mercado brasileiro, impulsionado pela expressiva diferença entre os preços físicos e futuros. Essa disparidade reflete o otimismo do setor pecuário para o último trimestre do ano, período que deve ser marcado pelo aumento das exportações e pelo aquecimento do consumo interno.
De acordo com o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, a diferença entre os valores do mercado físico de setembro e os contratos futuros de outubro superou a marca de R$ 20. Apesar desse distanciamento temporário, a expectativa é de que ocorra um ajuste de convergência natural entre as praças nas próximas semanas.
No cenário atual, as grandes indústrias frigoríficas conseguem manter escalas de abate mais confortáveis utilizando animais de confinamentos próprios ou contratos de parceria. Em contrapartida, os frigoríficos de menor porte enfrentam dificuldades para preencher suas programações, sendo forçados a negociar de forma mais agressiva e pagando valores acima da média de referência.
Essa pressão de compra resultou em negócios pontuais de até R$ 360 no interior de São Paulo, embora a média no estado varie entre R$ 350 e R$ 355. Em outras regiões produtoras, a praça de Goiânia registrou alta de 3,03%, cotada a R$ 340, enquanto Dourados, em Mato Grosso do Sul, subiu para R$ 345.
Fatores de alta para o fim do ano
Três fatores principais devem sustentar a alta da arroba no curto prazo. O primeiro é o retorno da cota de exportação para a China em outubro. Além disso, a abertura de uma cota com tarifas reduzidas de 300 mil toneladas para os Estados Unidos e o aumento sazonal do consumo doméstico prometem impulsionar as cotações.
Desempenho no atacado e exportações
No mercado atacadista, os preços dos cortes bovinos subiram na primeira quinzena do mês, impulsionados pelo pagamento dos salários. Contudo, analistas preveem uma desaceleração no consumo para o fim de setembro. A forte concorrência com as carnes de frango e suína, que possuem preços mais acessíveis, deve limitar novos reajustes no varejo.
No comércio exterior, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 495,054 milhões nos primeiros oito dias úteis de setembro. O volume total embarcado atingiu 79,711 mil toneladas, registrando um preço médio de US$ 6.210,50 por tonelada, segundo dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Para mais detalhes sobre as oscilações de preços no setor pecuário, acompanhe a cobertura completa no Canal Rural, parceiro do Safras News.
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