O Brasil ainda tentava calcular os prejuízos do tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros quando chegou a sobremesa: uma nova investigação sobre suposto trabalho forçado que pode resultar em mais uma tarifa de até 12,5%.
Eis que surge uma dúvida histórica: será que alguém confundiu diplomacia internacional com turismo político?
Afinal, não é todo dia que vemos um senador brasileiro atravessar continentes para buscar apoio estrangeiro contra questões internas do próprio país e, pouco tempo depois, assistir ao Brasil entrar na mira de novas barreiras comerciais. Se era uma missão diplomática, os resultados parecem ter sido calculados por um inimigo comercial.
A situação é tão peculiar que merece uma nova categoria política: o patriota de alfândega. Aquele que embrulha o discurso na bandeira nacional, faz pose de defensor da soberania, mas termina ajudando a criar obstáculos justamente para os produtos brasileiros atravessarem a alfândega de outros países.
E o mais impressionante é que a conta não chega para quem posa nas fotografias ou grava vídeos para as redes sociais. Ela chega para empresários, agricultores, trabalhadores, exportadores e para toda a economia brasileira.
O episódio também nos apresenta uma figura rara da política contemporânea: o estadista de Free Shop. Aquele que desembarca nos Estados Unidos prometendo soluções grandiosas para o Brasil e retorna com mais taxas, mais investigações e mais dificuldades para quem produz riqueza por aqui.
A ironia é quase poética. Durante anos ouvimos discursos inflamados sobre soberania nacional, independência do Brasil e combate à interferência estrangeira. Agora, alguns dos mesmos personagens parecem acreditar que os problemas nacionais serão resolvidos por autoridades de outro país. É uma espécie de nacionalismo terceirizado.
Se a estratégia era fortalecer o Brasil, os resultados conhecidos até agora sugerem algo diferente. O tarifaço veio. A nova investigação veio. A ameaça de novas sanções veio. Só não apareceu ainda o benefício concreto para os brasileiros.
No fim, fica a sensação de que estamos assistindo a uma versão política daquele cidadão que chama a fiscalização para prejudicar o vizinho e acaba vendo o próprio telhado ser interditado.
Mas talvez exista uma explicação. Quem sabe o objetivo nunca tenha sido proteger os interesses econômicos do Brasil, mas apenas produzir manchetes, vídeos e discursos para a própria torcida.
Se for esse o caso, missão cumprida.
Já para o Brasil, infelizmente, a fatura continua chegando.
FONTE/CRÉDITOS: Alfroh Postai
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