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Notícias/Vale Europeu

Quando os vereadores preferem atacar a imprensa em vez de fiscalizar a gestão

Em uma democracia séria, vereador não foi eleito para perseguir órgão de imprensa, atacar veículos regionais ou tentar intimidar quem pensa diferente.

Quando os vereadores  preferem atacar a imprensa em vez de fiscalizar a gestão
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Em uma democracia séria, vereador não foi eleito para perseguir órgão de imprensa, atacar veículos regionais ou tentar intimidar quem pensa diferente. Vereador foi eleito para fiscalizar o Poder Executivo, cobrar respostas, ouvir a população e defender o interesse público. Quando um parlamentar usa a tribuna da Câmara para atacar a imprensa simplesmente porque não concorda com determinado posicionamento político, ele demonstra mais incômodo com a crítica do que compromisso com a transparência.

O episódio envolvendo vereadores de Direita da base governista de Timbó, vereadores esses de pouca expressão política, que voltaram  a atacar a imprensa regional durante sessão da Câmara de Vereadores, expõe uma postura preocupante: a tentativa de desqualificar quem fiscaliza, questiona e dá voz à população. Não é de hoje que esse tipo de comportamento se repete. Em vez de responder com argumentos, documentos e trabalho, o parlamentar prefere o caminho mais fácil: atacar o mensageiro.

A imprensa regional não existe para agradar vereador, prefeito, secretário, partido político ou grupo de poder. Existe para informar, questionar, fiscalizar e abrir espaço para denúncias que muitas vezes não encontram resposta dentro dos gabinetes. E, no caso de Timbó, as reclamações vindas da população têm sido constantes, principalmente na área da saúde, onde moradores relatam dificuldades, demora em atendimentos, falta de respostas e sensação de abandono.

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Juridicamente, a crítica jornalística é protegida pela Constituição Federal. O artigo 5º garante a livre manifestação do pensamento, e o artigo 220 estabelece que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação não podem sofrer restrição, observado o respeito à Constituição. Além disso, a própria Constituição determina que a fiscalização do município cabe ao Poder Legislativo Municipal, por meio do controle externo. Ou seja: fiscalizar a prefeitura não é favor do vereador, é obrigação constitucional.

Por isso, causa estranheza quando um parlamentar dedica energia para atacar a imprensa, mas demonstra pouca disposição para enfrentar os problemas reais da cidade. Se há denúncias chegando todos os dias, o papel de um vereador sério seria apurar, cobrar documentos, convocar responsáveis, visitar unidades públicas e exigir providências. Mas, para alguns, parece mais conveniente passar pano para uma gestão falha do que exercer o mandato com independência.

Também não é invenção da imprensa que autoridades e lideranças regionais têm comentado a ausência do gestor municipal em agendas importantes. Quando a ausência política de um prefeito começa a ser percebida fora dos limites do município, o assunto deixa de ser fofoca e passa a ser pauta de interesse público. A população tem o direito de saber se Timbó está sendo bem representada regionalmente ou se está perdendo espaço político por falta de presença, diálogo e articulação.

O que não se pode aceitar é a tentativa de transformar crítica jornalística em perseguição. Imprensa livre não é imprensa conveniente. Jornalismo que só elogia governo não fiscaliza: faz propaganda. E este órgão de imprensa não está aqui para bater palma para gestão pública, muito menos para se calar diante de denúncias de moradores.

Se os vereadores se incomodam com críticas, deveria responder com trabalho. Se discorda de uma matéria, que apresente dados, documentos e argumentos. O que não cabe é tentar intimidar a imprensa usando a tribuna pública como palanque de ataque pessoal ou político.

A cidade precisa de vereadores que fiscalizem, não de defensores automáticos do prefeito. Precisa de representantes que olhem para a saúde, para os bairros, para as filas, para as reclamações da população e para a ausência de respostas do poder público. Atacar a imprensa pode até agradar pequenos grupos políticos, mas não resolve o problema de quem espera atendimento, de quem cobra respeito e de quem exige uma gestão mais presente.

A imprensa regional seguirá fazendo o seu papel. Com crítica, com cobrança, com responsabilidade e com independência. Porque quem ocupa cargo público precisa entender uma coisa simples: mandato passa, mas o direito da população de ser informada permanece.

FONTE/CRÉDITOS: REDAÇÃO

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