Neste domingo (2), pacientes, familiares e profissionais de saúde mobilizaram-se em 26 cidades no Brasil e no exterior para amplificar a conscientização sobre lipedema. A mobilização busca alertar a sociedade para o diagnóstico precoce dessa patologia crônica do tecido adiposo, que afeta uma em cada dez brasileiras e causa dores graves, inchaços e limitações físicas.
Diferenças entre lipedema e celulite
Frequentemente confundido com celulite, o quadro caracteriza-se pelo acúmulo desproporcional de gordura nas extremidades do corpo. Em entrevista à Agência Brasil, a cirurgiã vascular e angiologista Tatiana Losada, integrante da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), explicou que a enfermidade atinge quase exclusivamente as mulheres, afetando principalmente pernas, quadris e braços.
Segundo a médica, enquanto a celulite representa apenas uma alteração estética superficial sem dores relevantes, o lipedema provoca sensibilidade ao toque, hematomas frequentes e sensação de peso. Além disso, costuma haver uma preservação visível de pés e mãos, criando um aspecto de garrote nos tornozelos e punhos.
Diagnóstico clínico e opções de tratamento
Doutora Tatiana Losada ressaltou que a confirmação da doença é estritamente clínica, dependendo da avaliação do histórico da paciente e de exames físicos detalhados. Atualmente, não existem exames de imagem ou laboratoriais específicos para diagnosticar a condição, embora o ultrassom doppler possa ser utilizado para averiguar a circulação vascular e afastar outras complicações.
Apesar de ser uma patologia crônica, existem tratamentos eficazes para controle dos sintomas. A abordagem terapêutica inclui reeducação alimentar, fortalecimento muscular, fisioterapia, terapias compressivas e suporte multiprofissional. Casos selecionados também podem indicar intervenção cirúrgica para devolver a mobilidade e qualidade de vida à paciente.
Origem genética e fatores hormonais
As causas exatas ainda não foram totalmente elucidadas, porém há forte relação genético-hormonal. É comum ver várias mulheres da mesma família apresentando o problema. Os sintomas tendem a se intensificar em fases de transição hormonal, como a puberdade, gestação e menopausa.
Por fim, a especialista destacou a importância de buscar atendimento especializado sem culpa. Fatores como ganho de peso e sedentarismo agravam a inflamação, mas não são a causa primária. O diagnóstico adequado evita tratamentos desnecessários e alivia a carga emocional das pacientes.
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