O Governo do Rio de Janeiro implementou uma série de mudanças significativas no Instituto Rio Metrópole (IRM) nesta quarta-feira (22), exonerando 30 cargos comissionados, nomeando novos diretores e substituindo outros. Essas ações ocorrem em resposta a uma recente operação do Ministério Público estadual (MPRJ), que investiga um esquema de desvio de mais de R$ 80 milhões na autarquia.
A operação do MPRJ, deflagrada no último dia 9, mirou gestores do IRM, levantando fortes indícios de um esquema de corrupção envolvendo a malversação de mais de R$ 80 milhões em recursos públicos.
Além das mudanças de pessoal, o governo estadual determinou a suspensão imediata do pagamento de todos os contratos em andamento no instituto. Essa medida visa assegurar a integridade dos recursos enquanto uma auditoria interna é conduzida.
Um grupo de trabalho, composto por membros do IRM e da Controladoria-Geral do Estado (CGE), foi estabelecido para realizar a auditoria. Ele terá um prazo de 30 dias para analisar minuciosamente os contratos e apresentar suas conclusões.
O Instituto Rio Metrópole, uma autarquia do governo estadual, possui atribuições cruciais na elaboração de projetos. Suas áreas de atuação abrangem mobilidade, saneamento, meio ambiente, tecnologia e habitação, impactando diretamente a qualidade de vida na região.
Essas reorganizações internas e medidas de controle foram iniciadas após a assunção interina da presidência do IRM por Roberto Lisandro Leão. Ele acumula as funções de secretário de Estado de Governo e secretário do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Detalhes da Operação do Ministério Público
No âmbito da operação, o Ministério Público estadual formalizou a denúncia de 11 indivíduos à Justiça. Eles são acusados de crimes graves, incluindo organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações, além de lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia, encaminhada à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, o esquema utilizava "contratos milionários" do IRM. Estes foram firmados entre julho de 2022 e maio de 2026, com o objetivo de desviar verbas públicas.
Entre os detidos na operação, destacam-se o ex-presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, conhecido como "Didê", e Maurício Silva Knoploch dos Santos. Este último atuava como diretor de Planejamento e Projetos do IRM e era integrante da Comissão Técnica de Licitação.
Maurício Silva Knoploch dos Santos é, ainda, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ), informação que adiciona um contexto político à investigação.
Outro nome relevante entre os denunciados e detidos é Franquis Dias Nepomuceno. Ele ocupava o cargo de diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e, concomitantemente, exercia a função de delegado da Polícia Civil.
Procurador-Geral do Rio Aponta "Ambiente de Corrupção"
Antonio José Campos Moreira, procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro (MPRJ), fez uma declaração contundente após a operação. Ele afirmou que existe um "ambiente institucional" no estado que favorece a corrupção generalizada.
Moreira sugeriu que essa realidade pode ser um fator explicativo para a persistente dificuldade financeira do estado. Segundo ele, "inúmeras estruturas do Estado, órgãos que deveriam prestar serviços ao cidadão, foram cooptadas por delinquentes".
O procurador-geral concluiu que essas estruturas foram "transformadas em antros de corrupção", destacando a gravidade da infiltração criminosa em órgãos públicos.
A investigação focada no Instituto Rio Metrópole, conforme Moreira, envolve um contrato de R$ 80 milhões. Ele também alertou que "outros casos, de superlativa gravidade, também estão sendo objeto de investigação", indicando a amplitude do problema.
Para o procurador, o cenário atual de integração entre as instituições estaduais é propício para o combate eficaz às irregularidades. Essa sinergia fortalece a capacidade de enfrentar a corrupção nas estruturas do estado.
Moreira ressaltou um "ambiente singular" no estado, com a chefia do Poder Executivo exercida transitoriamente pelo presidente do Tribunal de Justiça. Essa situação, segundo ele, facilita uma atuação integrada.
Tal integração, mantendo a "absoluta independência entre as instituições", é fundamental para investigar crimes e atos de improbidade administrativa.
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