A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (23) uma operação de grande porte para desarticular uma organização criminosa envolvida em tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais, com movimentação estimada em até R$ 1 bilhão. A ação visa combater um esquema que possui ramificações globais.
Nove dos 13 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal, foram cumpridos. Além disso, 44 mandados de busca e apreensão foram executados em quatro estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo.
A Justiça Federal também determinou a aplicação de outras medidas cautelares, incluindo o sequestro de ativos e o bloqueio de bens. Pessoas físicas e jurídicas investigadas tiveram seus patrimônios congelados até o limite de R$ 1 bilhão, visando descapitalizar a rede criminosa.
Intitulada Operação Commodity, a ação é parte da Missão Redentor II e contou com o apoio estratégico da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). A colaboração foi essencial nos estados de São Paulo (SP) e Minas Gerais (MG) para o sucesso da empreitada.
Confronto
Durante o cumprimento de um mandado de prisão em Igaratá (SP), no Vale do Paraíba paulista, um dos investigados reagiu. O alvo, que possuía supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), atirou contra os policiais federais.
Na troca de tiros, o homem foi atingido e, apesar dos primeiros socorros, não resistiu aos ferimentos, vindo a óbito na mansão onde estava. Felizmente, nenhum policial ficou ferido durante a intensa ação.
Tráfico internacional
As investigações aprofundadas revelaram que o grupo criminoso estabeleceu uma sofisticada rede logística. Com ramificações na América do Sul, Europa e Ásia, a organização focava na exportação marítima de cocaína para o continente europeu, utilizando rotas complexas.
Desde 2021, a organização criminosa é responsável pelo envio de aproximadamente 6,5 toneladas de cocaína para diversos países da Europa. Além disso, mantinha vínculos operacionais com duas das maiores facções criminosas do Brasil: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Para ocultar o entorpecente em contêineres e eludir a fiscalização alfandegária, os criminosos empregavam métodos engenhosos. Eles camuflavam a droga em sacos de café, cimento e argamassa, e até mesmo realizavam a adulteração química de substâncias, como a diluição em refrigerantes.
Um exemplo dessa sofisticação ocorreu em setembro de 2025. No Porto do Rio de Janeiro, cerca de meia tonelada de cocaína foi apreendida escondida em sacas de café. O carregamento tinha como destino a Eslovênia, um país da Europa central.
Lavagem de dinheiro
O grupo criminoso movimentou valores bilionários através de uma macroestrutura financeira complexa, dedicada à ocultação patrimonial. O esquema operava com diversas tipologias de lavagem de dinheiro, visando dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.
Entre as estratégias utilizadas, destacam-se a criação de empresas "noteiras" para emitir notas fiscais falsas e de fachada, o uso de "cripto-doleiros", além da aquisição e venda de bens de luxo e imóveis de alto padrão para dissimular a origem do dinheiro.
Os investigados responderão, conforme suas responsabilidades individuais, pelos crimes de organização criminosa transnacional, tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais. Outros delitos podem surgir no decorrer das apurações, ampliando o escopo da investigação.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se