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Notícias/Política

Dívida pública federal atinge R$ 9 trilhões em maio, impulsionada por títulos da Selic

O Tesouro Nacional reportou que a dívida pública federal externa também cresceu 1,28%, alcançando R$ 340,49 bilhões no mês passado.

Dívida pública federal atinge R$ 9 trilhões em maio, impulsionada por títulos da Selic
© José Cruz/Agência Brasil
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A Dívida Pública Federal (DPF) do Brasil ultrapassou a marca de R$ 9 trilhões em maio, atingindo R$ 9,033 trilhões, um aumento de 2,66% em relação a abril. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Tesouro Nacional, revelam que a forte emissão de títulos atrelados à Taxa Selic foi o principal fator para essa elevação.

Este patamar de endividamento segue um crescimento notável, visto que em agosto do ano anterior o indicador já havia superado a marca de R$ 8 trilhões.

Apesar da elevação, o volume da dívida pública se mantém alinhado com as projeções do Plano Anual de Financiamento (PAF). Apresentado em janeiro, o PAF estima que o estoque da DPF deverá oscilar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final de 2026.

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A Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) registrou um avanço de 2,72%, passando de R$ 8,462 trilhões em abril para R$ 8,692 trilhões em maio.

Essa expansão foi impulsionada por uma emissão líquida de títulos de R$ 135,61 bilhões pelo Tesouro Nacional no último mês, predominantemente em papéis indexados à Selic. Adicionalmente, a apropriação de juros no valor de R$ 94,17 bilhões contribuiu para o aumento.

A apropriação de juros representa o reconhecimento mensal, por parte do governo, da correção de juros incidentes sobre os títulos, incorporando esse valor ao estoque da dívida pública.

Com a Taxa Selic mantida em 14,25% ao ano, esse mecanismo exerce uma pressão significativa sobre o endividamento governamental.

Em maio, o Tesouro Nacional realizou uma emissão recorde de R$ 166,23 bilhões em títulos da DPMFi, o maior volume mensal desde o início da série histórica.

Este movimento foi majoritariamente motivado pela necessidade de substituir títulos indexados à Selic que venceram em março, além de atender à demanda dos investidores no mês.

Os resgates de títulos, por sua vez, somaram R$ 30,62 bilhões, um valor considerado baixo para os padrões do Tesouro Nacional.

Essa característica se alinha ao padrão sazonal, onde o segundo mês de cada trimestre historicamente apresenta um menor volume de vencimentos de títulos.

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) também registrou um aumento, crescendo 1,28% e passando de R$ 335,88 bilhões em abril para R$ 340,49 bilhões em maio.

A valorização de 1,37% do dólar no período foi o principal elemento a influenciar essa elevação.

Colchão da dívida pública

Após um período de declínio, o colchão da dívida pública, que funciona como uma reserva financeira estratégica para momentos de instabilidade ou alta concentração de vencimentos, apresentou uma recuperação.

Este fundo de reserva expandiu de R$ 1,091 trilhão em abril para R$ 1,211 trilhão em maio, alcançando o maior patamar desde novembro de 2025.

Segundo o Tesouro Nacional, o principal motivador foi o volume de emissões que superou os resgates no mês.

Atualmente, o colchão oferece cobertura para 9,14 meses de vencimentos da dívida pública, um indicador de segurança financeira.

Para os próximos 12 meses, a previsão é de vencimento de R$ 1,804 trilhão em títulos federais.

Composição da DPF

A intensa emissão de títulos atrelados à Taxa Selic impactou a composição da DPF, que apresentou as seguintes variações entre abril e maio:

  • Títulos vinculados à Selic: de 48,59% para 48,99%;
  • Títulos corrigidos pela inflação: de 26,76% para 26,26%;
  • Títulos prefixados: de 20,85% para 21%;
  • Títulos vinculados ao câmbio: de 3,8% para 3,75%.

O Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta os seguintes intervalos para a composição dos títulos ao final do ano:

  • Títulos vinculados à Selic: entre 46% e 50%;
  • Títulos corrigidos pela inflação: entre 23% e 27%;
  • Títulos prefixados: entre 21% e 25%;
  • Títulos vinculados ao câmbio: entre 3% e 7%.

Os papéis prefixados, cujas taxas são definidas no momento da emissão, são geralmente associados a uma maior previsibilidade para a Dívida Pública Federal.

Contudo, em cenários de instabilidade no mercado financeiro, a emissão desses títulos tende a diminuir, uma vez que os investidores demandam juros mais elevados, o que poderia comprometer a gestão da dívida governamental.

Por outro lado, os títulos atrelados à Taxa Selic (juros básicos da economia) têm atraído significativo interesse dos investidores, impulsionado pelas elevadas taxas de juros definidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

A dívida cambial, por sua vez, abrange tanto antigos títulos da dívida interna corrigidos pela variação do dólar quanto a própria dívida externa.

Prazo médio da DPF

O prazo médio da DPF registrou uma leve redução, passando de 4,12 para 4,07 anos. O Tesouro Nacional informa essa estimativa apenas em anos.

Este indicador representa o tempo médio que o governo leva para refinanciar sua Dívida Pública Federal. Prazos mais longos são geralmente interpretados como um sinal de maior confiança dos investidores na capacidade do governo de cumprir suas obrigações financeiras.

Detentores da dívida

A composição dos detentores da Dívida Pública Federal Interna (DPMFi) apresentou a seguinte distribuição:

  • Instituições financeiras: 31,54% do estoque;
  • Fundos de pensão: 22,92%;
  • Fundos de investimentos: 21,74%;
  • Não-residentes (estrangeiros): 10,14%;
  • Demais grupos: 13,67%.

A participação de investidores não-residentes (estrangeiros) na dívida interna diminuiu em maio, passando de 10,38% em abril para 10,14%.

Essa redução pode ser atribuída à maior tensão no mercado financeiro global, especialmente devido à guerra no Oriente Médio. Uma maior fatia de estrangeiros na dívida interna é geralmente vista como um indicativo de maior confiança no Brasil.

Em essência, a dívida pública constitui o mecanismo pelo qual o governo capta recursos junto a investidores para cumprir suas obrigações financeiras.

Em contrapartida, o governo se compromete a restituir esses valores após um período determinado, acrescidos de uma correção que pode ser atrelada à Taxa Selic, à inflação, à variação do dólar ou ser prefixada.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

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