O mercado de trabalho brasileiro demonstrou um aquecimento notável, resultando na menor taxa de subutilização já documentada, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Divulgada nesta sexta-feira (26) pelo IBGE, a pesquisa aponta que o país alcançou um recorde histórico no trimestre encerrado em maio, refletindo a crescente absorção da mão de obra.
O índice de subutilização alcançou 13,3% no trimestre móvel que se encerrou em maio. Este novo patamar supera o recorde anterior de 13,4%, registrado no último trimestre de 2023.
Esses indicadores são compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), instituição responsável por iniciar a série histórica da pesquisa em 2012.
A Pnad Contínua monitora o comportamento do mercado de trabalho para indivíduos a partir dos 14 anos, abrangendo diversas modalidades de ocupação, incluindo empregos formais, informais, temporários e autônomos. Acompanhe as últimas notícias da Agência Brasil no WhatsApp.
O que é a subutilização
A taxa de desocupação, frequentemente referida como taxa de desemprego, representa a proporção de indivíduos que buscaram trabalho e não o encontraram, em relação ao total da força de trabalho. Em maio, este indicador registrava 5,6%.
Por outro lado, a taxa de subutilização é um indicador mais abrangente. Ela quantifica a porção da população em idade ativa que não está sendo plenamente utilizada pelo mercado de trabalho e expressa o desejo de trabalhar por mais horas ou em melhores condições.
Conforme explica William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa, o grupo de pessoas subutilizadas vai além dos desempregados, englobando, na verdade, três categorias distintas:
- Desocupados: Indivíduos que buscaram ativamente uma vaga nos 30 dias que antecederam a coleta de dados.
- Subocupados por insuficiência de horas trabalhadas: Aqueles que, embora disponíveis, desejam e procuram trabalhar mais horas, mas não conseguem uma ocupação que complete as 40 horas semanais.
- Força de trabalho potencial: Compreende tanto pessoas desalentadas quanto não desalentadas.
Os desalentados são definidos como pessoas que desistiram de procurar emprego, pois acreditam que não encontrarão uma oportunidade adequada.
Kratochwill detalha que essa percepção pode ser motivada pela crença de escassez de vagas na região, pela idade (considerando-se muito jovens ou muito velhos) ou pela falta de expectativas de encontrar uma posição compatível com suas qualificações.
Já os não desalentados são indivíduos que, apesar de quererem e estarem disponíveis para trabalhar, não estão ativamente buscando vagas. Incluem também aqueles que procuraram, mas não estavam aptos a iniciar imediatamente ou recusaram ofertas de trabalho.
Comportamento da taxa de subutilização
No trimestre que se encerrou em maio, o contingente de pessoas subutilizadas somou 15,1 milhões. Esse volume representa uma redução de 5,7% em relação ao trimestre anterior, o que equivale a menos 920 mil indivíduos, período em que a taxa de subutilização estava em 14,1%.
Comparativamente ao trimestre encerrado em maio de 2023, quando o índice era de 14,9%, observa-se que, em um ano, cerca de 1,9 milhão de pessoas saíram da condição de subutilizadas.
Kratochwill enfatiza que essa redução indica um encolhimento do 'colchão de trabalhadores' – o estoque de pessoas que podem ser absorvidas pelo mercado de trabalho –, sinalizando uma diminuição progressiva da mão de obra disponível.
A Pnad registrou sua maior taxa de subutilização em 30,7%, no trimestre que se estendeu até agosto de 2020. O analista do IBGE contextualiza que esse pico foi um reflexo direto da pandemia de covid-19.
Previamente à pandemia, a maior taxa de subutilização havia atingido 25% no período de três meses até maio de 2019, quando 28,4 milhões de pessoas se encontravam nessa condição.
Mercado de trabalho aquecido e seus impactos
William Kratochwill, analista do IBGE, reconhece que a taxa de subutilização pode não ser tão familiar quanto a taxa de desocupação, que é um 'indicador mais fácil de entender e globalmente conhecido'. Contudo, ele ressalta que a análise desse dado é crucial para compreender o aquecimento do mercado de trabalho.
Segundo Kratochwill, o mercado de trabalho está, de fato, aquecido, absorvendo a máxima quantidade de mão de obra disponível. Essa dinâmica pode gerar impactos significativos na relação entre trabalhadores e empregadores.
Ele conclui que, à medida que a mão de obra se torna mais escassa, há uma tendência de aumento no valor do trabalho e uma melhoria nas condições e na qualidade das ofertas de emprego.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se